Pesquisadora da UFLA recebe prêmio nacional por estudo que revoluciona fermentação do café e amplia qualidade da bebida
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Reconhecimento no Agro Mulher Brasil 2026 destaca a professora Rosane Schwan, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), por pesquisas que mudaram o uso da fermentação no café, permitindo melhorar a qualidade da bebida e abrir espaço para produtores de diferentes regiões do país

A professora e pesquisadora Rosane Schwan, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), foi homenageada no Agro Mulher Brasil 2026 por sua atuação científica no agronegócio. O reconhecimento destaca um trabalho desenvolvido ao longo de décadas que ajudou a transformar a forma como o café brasileiro é produzido e avaliado, principalmente com o uso controlado da fermentação.
O prêmio chama atenção por valorizar uma pesquisadora do meio acadêmico, algo ainda pouco comum nesse tipo de homenagem. Rosane conta que a escolha foi uma surpresa, já que, segundo ela, a maioria dos reconhecidos costuma ser de empresários ligados diretamente ao setor produtivo.
A principal contribuição da pesquisadora está nos estudos sobre a fermentação do café, um processo natural que sempre existiu, mas que durante muito tempo não era controlado. A partir das pesquisas desenvolvidas na UFLA, ficou comprovado que o uso de microrganismos selecionados e o controle das condições do processo podem melhorar significativamente a qualidade da bebida.
O trabalho também ajudou a quebrar uma ideia antiga no setor de que apenas regiões de maior altitude poderiam produzir cafés de alta qualidade. Segundo a pesquisadora, o objetivo sempre foi mostrar que a tecnologia e o processo podem compensar limitações naturais do ambiente.
Na prática, a técnica utiliza leveduras benéficas e controla a presença de oxigênio durante a fermentação, o que favorece a formação de compostos responsáveis pelo aroma e sabor do café. Outro ponto importante é a secagem lenta do grão após o processo, para preservar essas características.
Apesar de envolver conhecimento científico, a tecnologia foi pensada para ser acessível. Produtores de menor porte também conseguem aplicar a técnica com estruturas simples, como o uso de lonas para reduzir a entrada de ar durante a fermentação. Em propriedades maiores, o processo pode ser feito com maior controle em tanques fechados.
A pesquisadora destaca que a qualidade do café começa no campo, mas pode ser potencializada com o processamento adequado. Com isso, produtores de regiões mais baixas também passaram a conseguir melhorar seus resultados e acessar mercados de cafés especiais.
O estudo começou há cerca de 30 anos e passou por parcerias internacionais antes de ganhar maior reconhecimento no Brasil. Com o tempo, os resultados começaram a ser aplicados na prática, especialmente em regiões produtoras do Sul de Minas.
Hoje, os efeitos já aparecem no mercado. Produtores que adotaram a fermentação controlada relatam aumento na qualidade e na valorização do produto. Um exemplo é a produtora Marisa Contreras, do Sul de Minas, que mudou de área profissional para investir na cafeicultura e passou a utilizar a técnica em sua propriedade.
Segundo ela, o uso das leveduras foi decisivo para elevar o padrão da produção. A propriedade, que começou sem tradição no cultivo de café, hoje alcança pontuações elevadas no mercado de cafés especiais, chegando a cerca de 90 pontos em avaliações de qualidade.
O avanço também começou a ser reconhecido pelo próprio setor. A Associação Brasileira de Cafés Especiais passou a considerar os processos de fermentação em suas classificações, o que reforça a importância da tecnologia desenvolvida na pesquisa.
Para a pesquisadora Rosane Schwan, essa mudança mostra que a ciência passou a fazer parte direta da definição de qualidade no café brasileiro. Antes visto como experimental, o processo agora integra critérios oficiais de avaliação.
O reconhecimento no Agro Mulher Brasil 2026 também reforça o papel das mulheres no desenvolvimento do agronegócio. A iniciativa destaca profissionais que contribuem com inovação, pesquisa e produção sustentável em diferentes áreas do setor.
Ao final, a pesquisadora resume o impacto do trabalho como uma tecnologia que já faz parte da realidade do campo e que pode ser usada por produtores de diferentes tamanhos. Segundo ela, o objetivo sempre foi aproximar a ciência da lavoura e oferecer soluções práticas para melhorar a produção de café no país.
Com informações de:
Simone Paiva Lima
Analista de Comunicação – Fundecc
Fotos: UFLA