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Brasil

Em tom de ameaça, EUA propõem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Antônio Campos

Jornalista natural de Governador Valadares (MG), iniciou sua trajetória no...

O governo dos Estados Unidos aponta preocupações em setores como comércio digital e etanol, e novas medidas poderão ser implementadas após o período de consulta pública

Foto: REUTERS/Jonathan Ernst /Proibida reprodução

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu uma investigação contra o Brasil e avaliou que algumas políticas brasileiras geram obstáculos ou custos extras ao comércio americano. A análise, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, abriu caminho para uma consulta pública e pode resultar em novas medidas comerciais, incluindo a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com algumas exceções.

Segundo o embaixador Jamieson Greer, mesmo após reuniões entre representantes dos dois países e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanecem divergências relevantes. O relatório destaca preocupações em seis áreas principais: comércio digital, serviços de pagamento, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

Os EUA afirmam que decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas e políticas voltadas a meios de pagamento eletrônicos podem limitar a atuação de empresas estrangeiras. Também criticam acordos tarifários firmados pelo Brasil com países como México e Índia, além de apontarem falhas no enfrentamento à pirataria, à falsificação e à demora na concessão de patentes, especialmente na área biofarmacêutica.

O documento ainda questiona a política brasileira para o etanol, alegando perda de acesso ao mercado nacional desde 2017, e avalia que a fiscalização ambiental não tem sido suficiente para conter o desmatamento ilegal. Também cita preocupações sobre legislação trabalhista, importação de produtos ligados ao trabalho forçado e comércio de madeira extraída ilegalmente.

A investigação começou em julho de 2025 e inclui críticas envolvendo o Pix, a LGPD e até a Rua 25 de Março como exemplos de práticas consideradas desfavoráveis ao comércio americano. Agora, o governo dos EUA abriu prazo para manifestações públicas e realizará audiência em 6 de julho. A expectativa é que uma decisão sobre possíveis medidas comerciais seja anunciada até 15 de julho de 2026.

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