Agro dispara 11,7% em 2025, puxa economia e responde por um terço do crescimento do Brasil
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Com safras recordes de soja e milho e clima favorável, setor do campo foi o principal responsável pela alta de 2,3% do Produto Interno Bruto, que somou R$ 12,7 trilhões no ano
O agronegócio foi o grande motor da economia brasileira em 2025. Impulsionado por safras recordes de soja e milho e por um clima que favoreceu a produtividade no campo, o setor agropecuário cresceu 11,7% em relação a 2024 e respondeu sozinho por 32,8% de toda a expansão econômica do país no período. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
No total, o Produto Interno Bruto (PIB) — que é a soma de todas as riquezas produzidas no país — avançou 2,3% em 2025 e alcançou R$ 12,7 trilhões. Mesmo representando uma parcela menor dentro da economia, o agro teve peso decisivo no resultado final, contribuindo mais que o dobro da indústria extrativa, que inclui atividades como petróleo e mineração.
A força do campo alterou inclusive a composição da economia brasileira. A participação da agropecuária no PIB subiu de 6,7% em 2024 para 7,1% em 2025. Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, embora o setor de serviços continue sendo o maior da economia, o crescimento expressivo do agro fez com que ele se tornasse o principal responsável pelo avanço do país no ano passado.
Entre os destaques de 2025 estão as culturas que mais cresceram. A produção de laranja avançou 28,4%, o milho teve alta de 23,6% e a soja, principal produto agrícola do país, cresceu 14,6%. Soja e milho, juntos, representam quase metade da área plantada nacional. A pecuária, especialmente bovinos e leite, também registrou resultados positivos, assim como culturas como o fumo, com desempenho mais forte no quarto trimestre. O ano também foi marcado por recorde de abate de animais no Brasil.
Apesar do protagonismo do agro, o setor de serviços segue como o maior da economia, respondendo por 69,5% do PIB, com crescimento de 1,8% em 2025. A indústria avançou 1,4%, mas a parte ligada à extração de petróleo perdeu participação por causa da queda nos preços internacionais do produto.
O PIB por habitante — que indica quanto, em média, cada brasileiro produziu no ano — chegou a R$ 59.687,49, com alta real de 1,9%. Já a taxa de investimento, que mostra quanto do PIB foi destinado à ampliação da capacidade produtiva, fechou em 16,8%.
Para 2026, a expectativa do Ministério da Fazenda é de que a economia mantenha crescimento de 2,3%, mas com mudança nos protagonistas. O governo projeta uma desaceleração acentuada do agro, causada pela reversão do ciclo da pecuária — com menor abate de bovinos — e por expectativa de produção menor de milho e arroz. A aposta é que indústria e serviços ganhem ritmo para compensar essa retração e manter o país em trajetória de crescimento.
Com informações da CNN e Agência Brasil
Foto: Agência Brasil