Brasil segue entre os países com juros mais altos do mundo, mesmo com queda da Selic
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Levantamento internacional aponta que o país ocupa a segunda posição global em juros reais, atrás apenas da Rússia, em um cenário de cautela econômica e pressão inflacionária no mundo. Estudo considera projeções para os próximos 12 meses em 40 economias
Mesmo após a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que agora está em 14,50% ao ano, o Brasil continua como o segundo país com os maiores juros reais do mundo, registrando taxa de 9,33% ao ano. O levantamento coloca o país atrás apenas da Rússia, que lidera o ranking com 9,67%, em uma análise que compara 40 economias globais.
O estudo, feito em parceria entre as instituições Moneyou e Lev Intelligence, utiliza projeções de mercado para inflação e juros ao longo dos próximos 12 meses. Na prática, os juros reais representam o quanto o rendimento dos investimentos supera a inflação, ou seja, o ganho real do dinheiro ao longo do tempo.
Na comparação com outros países da América Latina, o Brasil segue bem à frente. O México aparece na terceira posição, com juros reais de 5,09%, enquanto a Colômbia ocupa o sétimo lugar, com 2,63%. O cenário reforça a diferença entre a política monetária brasileira e a de seus vizinhos da região.
Segundo o economista Jason Vieira, responsável pelo estudo, fatores internacionais têm pesado nas decisões dos bancos centrais. Ele destaca que o aumento das tensões geopolíticas, como o conflito entre Irã e Estados Unidos, elevou as incertezas no mercado e pressionou as expectativas de inflação, levando a uma postura mais conservadora na condução da política de juros em vários países.
O levantamento mostra ainda que a maioria das economias, cerca de 85%, optou por manter suas taxas de juros, enquanto apenas 7,5% realizaram aumentos e outros 7,5% fizeram cortes. O cenário global indica, portanto, uma postura de cautela generalizada diante das incertezas econômicas.
Outro dado do estudo revela que alguns países seguem com juros reais negativos, quando a inflação supera os rendimentos oferecidos pelos investimentos. É o caso de Japão, Argentina, Suíça e Taiwan, onde o cenário reduz o poder de ganho dos investidores.
Logo atrás do Brasil no ranking aparecem países como África do Sul, Indonésia e Hungria, reforçando um ambiente econômico internacional ainda marcado por pressões inflacionárias e decisões mais conservadoras por parte das autoridades monetárias.
Com informações da CNN Money
Foto: ilustrativa