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Agronegócio

Cenoura dispara quase 60% e puxa alta no preço das hortaliças na Ceasa Minas; tomate, batata e cebola também sobem

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Consumidor sentiu o peso no bolso em abril com aumento nos preços de produtos básicos vendidos na Ceasa Minas, em Belo Horizonte. Cenoura teve uma das maiores altas do país, enquanto frutas apresentaram comportamento misto, com queda em boa parte dos itens pesquisados

Os preços das hortaliças voltaram a subir com força na Central de Abastecimento de Minas Gerais, a Ceasa Minas, em Belo Horizonte, durante o mês de abril. A cenoura foi a principal responsável pela disparada, registrando uma das maiores altas do Brasil: o quilo ficou 59,62% mais caro e passou a custar, em média, R$ 4,28. Também tiveram aumento os preços da cebola, batata e tomate. Já entre as frutas, a situação foi mais equilibrada, com altas pontuais e queda nos preços da maioria dos produtos pesquisados.

Os dados fazem parte do 5º boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab. Segundo o levantamento, a principal causa dos aumentos foi a redução da oferta provocada pelo clima e pela menor produção em várias regiões do país.

De acordo com a Conab, Minas Gerais concentrou grande parte da produção nacional de cenoura, principalmente na região de São Gotardo, no Alto Paranaíba. A procura de outros estados pela produção mineira aumentou ainda mais a pressão sobre os preços. Somente em abril, a oferta nacional do produto caiu 17,1%.

A gerente de Produtos Hortigranjeiros da Conab, Flávia Starling, explicou que a redução brusca da oferta elevou rapidamente os preços. Segundo ela, além de Minas, também houve menor disponibilidade de cenoura nas regiões Sul e Centro-Oeste. São Gotardo chegou a abastecer 11 destinos diferentes no país, incluindo Recife, Fortaleza e Goiânia. Ainda conforme a especialista, a oferta seguiu limitada na primeira quinzena de maio, mantendo os preços elevados.

A cebola também ficou mais cara em Belo Horizonte. O quilo do produto foi vendido a R$ 3,45, alta de 19,33% em relação a março. Segundo a Conab, a produção nacional e as importações ainda não foram suficientes para aumentar a oferta e reduzir os preços.

Outro item que pesou no bolso foi a batata. O fim da chamada “safra das águas” — período de maior produção durante a estação chuvosa — e o início lento da safra de inverno diminuíram a quantidade disponível no mercado. Com isso, o quilo subiu 10,78% e chegou a R$ 2,37.

Já o tomate teve aumento de 8,52% e passou a custar R$ 4,64 o quilo. A Conab informou que os dois principais estados fornecedores reduziram os envios para as centrais de abastecimento. Goiás registrou queda de 25% na oferta e Minas Gerais teve redução de 45% na comparação entre os primeiros meses deste ano e o fim de 2025.

Entre as hortaliças pesquisadas, apenas a alface ficou mais barata. O quilo foi vendido a R$ 13,37, queda de 1,84%.

Nas frutas, o destaque de alta ficou para a melancia. O preço subiu 29% em abril e o quilo chegou a R$ 3,04. Ao mesmo tempo, a quantidade comercializada caiu 21% em relação a março. Segundo a Conab, as fortes chuvas prejudicaram a qualidade da fruta e reduziram a oferta.

A laranja teve leve aumento de 0,21%, com o quilo vendido a R$ 2,30. Mesmo em período de entressafra nas principais regiões produtoras, a demanda moderada evitou aumentos maiores.

Por outro lado, mamão, maçã e banana ficaram mais baratos. O mamão teve queda de 10,47% e passou a custar R$ 4,10 o quilo. A redução ocorreu por causa da concorrência entre os tipos papaia e formosa, além da resistência dos consumidores aos preços altos no começo do mês e da perda do poder de compra das famílias no fim do período.

A maçã caiu 9,68% e fechou abril com preço médio de R$ 6,10 o quilo. O recuo foi provocado pelo avanço da colheita da variedade Fuji na região Sul do país e pelos estoques armazenados da variedade Gala.

Já a banana ficou 4,66% mais barata e foi vendida a R$ 3,40 o quilo. Segundo a Conab, o aumento da produção em Minas Gerais, principalmente da banana-prata do Norte de Minas, ajudou a ampliar a oferta e compensar perdas registradas em outras regiões produtoras do país.

Com informações do Jornal Diário do Comércio
Foto: ilustrativa

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