Desenrola 2.0 ajuda parcela dos brasileiros, mas 88% não sentem benefícios, aponta pesquisa
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Programa federal de renegociação de dívidas atinge parte dos endividados, mas maioria da população não percebe impacto direto, segundo levantamento Genial/Quaest realizado em junho
Uma nova pesquisa da Genial/Quaest divulgada em junho mostra que 10% dos brasileiros afirmam ter sido beneficiados pelo programa de renegociação de dívidas do governo federal, conhecido como Desenrola 2.0, enquanto 88% dizem não ter sentido efeitos positivos da medida. O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 8 de junho, com 2.004 entrevistas presenciais com pessoas a partir de 16 anos, e margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Lançado no início de maio, o programa permite que consumidores renegociem dívidas como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais e também o financiamento estudantil do governo, com condições facilitadas, juros menores e descontos que podem chegar a até 90%. A iniciativa tem como objetivo reduzir o número de pessoas com restrições financeiras e facilitar a reorganização das contas das famílias brasileiras.
De acordo com dados da mesma pesquisa, 69% dos entrevistados afirmam estar endividados. Dentro desse grupo, 46% dizem ter poucas dívidas, enquanto 23% relatam situação de maior acúmulo de débitos. Em comparação com levantamentos anteriores, houve leve melhora: o número de pessoas com muitas dívidas caiu de 28% para 23%, enquanto aqueles que dizem não ter dívidas subiram de 27% para 30%. Já o grupo com poucas dívidas permaneceu praticamente estável, passando de 45% para 46%.
O endividamento atinge com mais força a população de menor renda. Segundo o estudo, 73% das pessoas que ganham até dois salários mínimos estão endividadas. Entre quem recebe mais de cinco salários mínimos, o índice também é alto, chegando a 63%.
Sobre o programa, 50% dos entrevistados avaliam o Desenrola 2.0 como uma medida positiva. Outros 20% acreditam que ele ajuda apenas um pouco no orçamento familiar, enquanto 25% consideram a iniciativa negativa. O conhecimento sobre o programa também cresceu: o percentual de brasileiros que já ouviram falar dele passou de 57% para 61% em um mês, enquanto os que não conheciam caiu de 43% para 39%.
Mesmo com o avanço na divulgação, o estudo indica que a percepção de impacto ainda é limitada para a maior parte da população, em um cenário em que milhões de brasileiros seguem com dificuldades para manter as contas em dia.
Com informações da CNN
Foto:© José Cruz/Agência Brasi
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