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Brasil

Ex-presidente do BRB buscava há três meses conceder um novo depoimento à PF e tinha como alvo diretores do BC

Antônio Campos

Natural de Governador Valadares (MG), iniciou sua trajetória no rádio...

Detido nesta quinta-feira (16), Paulo Henrique Costa também buscava proteger o ex-governador Ibaneis Rocha

Fotos: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, vinha tentando desde o fim de janeiro agendar um novo depoimento junto à Polícia Federal. A intenção era esclarecer inconsistências apontadas durante a acareação realizada em dezembro com o banqueiro Daniel Vorcaro, além de entregar documentos aos investigadores.

A iniciativa gerou apreensão nos bastidores de Brasília, diante da possibilidade de que ele pudesse firmar um acordo de delação premiada no contexto das investigações sobre supostas fraudes ligadas ao banco Master. A instituição esteve no centro de apurações por uma tentativa de aquisição envolvendo a entidade de Vorcaro, posteriormente liquidada sob suspeita de um esquema bilionário contra o sistema financeiro.

Apesar das tentativas, o novo depoimento nunca foi agendado. Nesta quinta-feira (16), Costa acabou sendo preso, sob a suspeita de ter negociado mais de R$ 140 milhões em propina, supostamente pagos por Vorcaro por meio da aquisição de imóveis de alto padrão.

A detenção coloca em dúvida a estratégia inicial de sua defesa. Pessoas próximas ao ex-dirigente descartavam a hipótese de colaboração premiada e sustentavam que ele buscava comprovar a legalidade das negociações envolvendo o banco Master.

Para sustentar essa linha, Costa pretendia detalhar suas interações com o Banco Central, incluindo a apresentação de mensagens trocadas com diretores da instituição, como forma de indicar que havia aval do órgão regulador nas tratativas. Em conversas reservadas, ele reiterava que todas as decisões relacionadas ao caso teriam sido respaldadas pela autoridade monetária.

Outro ponto de sua estratégia era desvincular o ex-governador do Distrito Federal das negociações, reforçando declarações de Ibaneis Rocha de que não participou diretamente do processo.

No entanto, essa versão foi contestada por mensagens divulgadas pelo ministro André Mendonça. Nos diálogos, Costa afirma a Vorcaro que trabalhava para estruturar uma operação e menciona que o governador teria solicitado a preparação de material para embasar argumentos diante de possíveis críticas.

Procurado, Ibaneis Rocha evitou comentar as suspeitas de pagamento de propina envolvendo o ex-presidente do BRB, limitando-se a afirmar que o assunto diz respeito exclusivamente à defesa de Costa.

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