Em entrevista ao programa CNN 360°, da rede CNN Brasil, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, criticou uma possível interferência do governo na escala de trabalho 6×1 e defendeu mais autonomia para as empresas.
Skaf afirmou que o Estado deveria reduzir sua atuação na economia e nas decisões do setor produtivo. Segundo ele, a principal contribuição do governo seria manter equilíbrio fiscal, evitar desperdícios e combater a corrupção, rejeitando o que classificou como excesso de paternalismo. Ao comentar uma eventual compensação fiscal para empresas impactadas por mudanças na jornada, afirmou que o ideal seria o governo organizar suas próprias contas, destacando déficits recorrentes e o alto nível de endividamento público.
O dirigente também apontou os juros elevados como um dos principais entraves à competitividade, argumentando que taxas muito acima da inflação dificultam a sustentabilidade das empresas no país.
Sobre a escala 6×1, ele contestou a ideia de que o modelo seja predominante em pequenos negócios, afirmando que grandes empresas são as principais usuárias. Além disso, alertou que regras mais rígidas podem incentivar o aumento da informalidade, em um cenário que já conta com milhões de trabalhadores fora do mercado formal.
Durante a entrevista, Skaf também questionou a inclusão de regras sobre jornada de trabalho em nível constitucional, defendendo maior liberdade nas relações trabalhistas. Para ele, o princípio da reforma trabalhista deve prevalecer, com mais espaço para negociações entre empregadores e empregados, em vez de imposições legais mais rígidas.