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Economia

Inadimplência bate recorde histórico no Brasil e atraso no pagamento de empréstimos acende alerta para a economia

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Banco Central registra maior índice de calotes desde o início da série histórica; famílias lideram aumento dos atrasos em meio a juros elevados, inflação persistente e orçamento cada vez mais apertado

 

A dificuldade dos brasileiros para manter as contas em dia voltou a aumentar. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a inadimplência nas operações de crédito atingiu, em maio, o maior nível da série histórica iniciada em 2011. O percentual de empréstimos e financiamentos com atraso superior a 90 dias chegou a 4,7%, acima dos 4,6% registrados em abril e um ponto percentual superior ao observado no mesmo período do ano passado.

O cenário é ainda mais preocupante entre as famílias. A taxa de inadimplência das pessoas físicas subiu de 5,5% para 5,6%, estabelecendo um novo recorde histórico. Já entre as empresas, o índice avançou para cerca de 3,2%, também mostrando deterioração da capacidade de pagamento, embora em ritmo menor que o observado entre os consumidores.

Segundo o Banco Central, a piora foi puxada principalmente pelas linhas de crédito mais utilizadas pela população, como cartão de crédito, empréstimos pessoais e financiamentos. Nas chamadas operações de crédito livre — aquelas em que os bancos utilizam recursos próprios e definem livremente as condições de empréstimo — a inadimplência também aumentou, passando para 6,2%. Entre as famílias, esse percentual chegou a 7,6%, enquanto nas empresas atingiu 4,1%.

Especialistas avaliam que o avanço da inadimplência é consequência da combinação de juros ainda elevados, inflação que continua pressionando o custo de vida e renda insuficiente para acompanhar o aumento das despesas. Com uma parcela significativa do orçamento comprometida com dívidas, muitas famílias acabam atrasando o pagamento de empréstimos e financiamentos, especialmente aqueles com taxas de juros mais altas.

Outro fator que ajuda a explicar esse cenário é o elevado nível de endividamento da população. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio mostrou que 81,6% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em maio, o maior percentual da série histórica. Além disso, quase três em cada dez famílias já possuíam contas em atraso, demonstrando que o orçamento doméstico continua bastante pressionado.

O aumento da inadimplência preocupa o sistema financeiro porque pode tornar o crédito mais restrito e caro nos próximos meses. Quando cresce o risco de calote, os bancos costumam adotar critérios mais rigorosos para aprovar financiamentos e empréstimos, além de manter taxas de juros elevadas para compensar as perdas provocadas pelos atrasos nos pagamentos.

Apesar desse cenário, o volume total de crédito concedido no país continuou crescendo em maio, indicando que empresas e consumidores seguem recorrendo aos financiamentos para manter investimentos, consumo e capital de giro. Ao mesmo tempo, o Banco Central registrou uma leve redução na taxa média de juros das novas operações de crédito, movimento considerado insuficiente para aliviar, no curto prazo, o peso das dívidas acumuladas pelas famílias.

Para economistas, os próximos meses continuarão sendo desafiadores. Enquanto o custo do crédito permanecer elevado e a renda das famílias seguir pressionada, a recuperação da capacidade de pagamento tende a ocorrer de forma lenta, mantendo a inadimplência em níveis elevados e exigindo maior cautela tanto de consumidores quanto das instituições financeiras.

Com informações da CNN – Veja e Portal UOL

Foto: © Joédson Alves/Agência Brasil

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