Produção de grãos em Minas cresce 61% em 10 anos e chega a 18,9 milhões de toneladas com avanço tecnológico no campo
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Estado amplia produtividade com uso de agricultura de precisão, melhor aproveitamento das áreas e novas tecnologias; Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste lideram produção, enquanto setor projeta desafios com clima e custos na próxima safra
A produção de grãos em Minas Gerais registrou um crescimento expressivo de 61% na última década, saltando de 11,8 milhões de toneladas na safra 2015/2016 para uma estimativa de 18,9 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Os dados são de um levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária, que mostra a consolidação do estado como um dos principais polos agrícolas do país, hoje ocupando a sexta posição no ranking nacional e respondendo por cerca de 6% de toda a produção brasileira.
O avanço envolve culturas como milho, feijão, sorgo e soja, com destaque para a soja, que praticamente dobrou de produção no período, passando de 4,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas. Esse crescimento também fez com que o grão se tornasse o segundo principal produto da pauta de exportações do agronegócio mineiro, ficando atrás apenas do café.
Segundo a Secretaria de Agricultura, parte desse resultado se deve ao avanço tecnológico no campo, com maior uso de agricultura de precisão, sensores, drones e irrigação mais eficiente, além do desenvolvimento de variedades mais produtivas e resistentes às variações do clima, pesquisadas por instituições como a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais. Outro fator decisivo foi o melhor aproveitamento das áreas já existentes, com a chamada “safrinha”, quando produtores utilizam a mesma terra para plantar soja em uma safra e milho na seguinte, aumentando a produção sem ampliar a área cultivada.
Os dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento para a safra 2025/2026 apontam que Minas deve alcançar 9,1 milhões de toneladas de soja, 7 milhões de toneladas de milho, 1,6 milhão de toneladas de sorgo e cerca de 499 mil toneladas de feijão. As regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste seguem como as principais áreas produtoras do estado.
Apesar do crescimento consistente, o setor já demonstra preocupação com os próximos ciclos. A previsão para a safra 2026/2027 envolve incertezas ligadas ao clima, com possibilidade de influência do fenômeno El Niño, que pode atrasar o início das chuvas, além de fatores econômicos como juros elevados, que encarecem o crédito rural. Também há atenção para impactos externos, como tensões geopolíticas que podem dificultar a importação de fertilizantes, insumo essencial para a produção agrícola.
Com informações da Agência Minas
Foto: Seapa