Prévia da inflação recua 0,55% na Grande BH com queda da conta de luz
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Energia elétrica, transportes e alimentos contribuíram para a deflação em agosto, mas cenário de preços mais baixos não deve se manter nos próximos meses
A prévia da inflação caiu 0,55% na Região Metropolitana de Belo Horizonte em agosto, puxada principalmente pela redução da conta de luz, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador que antecipa a tendência da inflação oficial, e acompanhou a queda registrada em todo o país, de 0,40%.
Dos nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, cinco tiveram redução de preços. Os principais recuos ocorreram em habitação, transportes e alimentação e bebidas. Também houve queda em vestuário, de 0,72%, e comunicação, de 0,06%, mas com influência menor sobre o resultado geral.
O grupo habitação apresentou baixa de 2,13%, principalmente por causa da redução de 7,68% na tarifa de energia elétrica residencial. Um dos fatores que ajudaram a diminuir o valor das faturas foi o bônus de Itaipu, aplicado às contas emitidas em agosto. O benefício compensou o efeito da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.
Os transportes também contribuíram para a queda do índice, com recuo de 0,96%. O transporte público ficou 3,69% mais barato e os combustíveis tiveram redução de 1,35%. A queda acompanhou o comportamento observado no mercado nacional, com redução nos preços de combustíveis e das passagens aéreas.
Na alimentação e bebidas, os preços caíram 0,91%. O destaque foi o grupo de tubérculos, raízes e legumes, que teve redução de 20,87%. A queda foi associada à maior oferta de produtos frescos, especialmente hortaliças, favorecida por condições melhores de safra. Batata, tomate e cenoura estiveram entre os itens que apresentaram redução.
Em sentido contrário, quatro grupos tiveram aumento de preços em agosto. Saúde e cuidados pessoais subiram 0,56%, despesas pessoais avançaram 0,51%, educação teve alta de 0,51% e artigos de residência registraram aumento de 0,05%.
Apesar do resultado negativo em agosto, a expectativa é de que a deflação perca força nos próximos meses. A avaliação é de que a queda da energia elétrica teve forte influência no índice, mas foi um fator pontual. Mudanças nas condições dos reservatórios podem levar à manutenção ou ao aumento das bandeiras tarifárias e pressionar novamente as contas de luz.
A alimentação também pode passar por mudanças com o avanço do período seco no Sudeste. A redução da oferta de legumes, verduras e leite pode diminuir o ritmo de queda dos preços ou até interromper o movimento registrado em agosto.
Outro possível fator de pressão está nos serviços. Com o mercado de trabalho aquecido e o desemprego em níveis baixos, reajustes salariais e contratuais podem elevar os custos das empresas e chegar aos preços pagos pelos consumidores.
Além disso, o segundo semestre costuma registrar maior pressão inflacionária devido ao aumento do consumo provocado pelo pagamento do 13º salário e por períodos de maior demanda, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Por isso, embora novos recuos de preços ainda possam ocorrer, a expectativa é de que a deflação registrada em agosto não se prolongue nos meses seguintes.
Com informações de O Globo – CNN e Diário do Comércio
Foto: ilustrativa