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Brasil

SUS amplia tratamento emergencial para infarto e AVC que podem evitar mortes e sequelas

Imagem: Canva

O Sistema Único de Saúde (SUS) irá ampliar a disponibilidade de medicamentos trombolíticos utilizados no atendimento de emergências cardiovasculares e neurológicas. A medida alcança casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico) e prevê a expansão do acesso ao tratamento na rede de urgência e emergência.

A mudança está prevista na Lei nº 5.972/2023, sancionada nesta quarta-feira (02/09). A iniciativa inclui as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) entre os pontos da rede que poderão contar com estratégias para ampliar a disponibilidade desses medicamentos.

Os trombolíticos são utilizados para ajudar a dissolver coágulos que interrompem o fluxo sanguíneo. No infarto, a obstrução pode comprometer a circulação para o músculo cardíaco. Já no AVC isquêmico, o bloqueio de uma artéria reduz a chegada de sangue e oxigênio a determinada região do cérebro.

Por isso, o tempo entre o surgimento dos sintomas, o diagnóstico e o início do tratamento é considerado um dos principais fatores para o prognóstico do paciente. Quanto mais rapidamente a circulação é restabelecida, maiores podem ser as chances de reduzir danos permanentes e o risco de morte.

Quando o trombolítico pode ser utilizado?

A utilização do medicamento não é indicada automaticamente para todas as pessoas que apresentam infarto ou AVC. A decisão depende de avaliação médica, protocolos clínicos e das características de cada caso. Em determinadas situações de infarto, por exemplo, o trombolítico pode ser considerado quando uma angioplastia, procedimento utilizado para desobstruir a artéria comprometida, não está disponível dentro do período considerado adequado.

A estratégia permite iniciar o tratamento enquanto o paciente é encaminhado ou aguarda a continuidade da assistência em um serviço especializado.

No caso do AVC, é fundamental identificar rapidamente se o quadro é isquêmico, provocado por uma obstrução, ou hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo. Os trombolíticos são destinados aos casos em que há indicação para o tratamento do AVC isquêmico.

O que muda no atendimento pelo SUS?

O SUS já possui protocolos que permitem o uso de trombolíticos em determinadas situações de infarto e AVC nos serviços de emergência. O principal desafio, até agora, estava relacionado à disponibilidade dos medicamentos, cuja aquisição é realizada pelos gestores locais.

Com a nova legislação, o Ministério da Saúde pretende fortalecer a oferta desses medicamentos em diferentes pontos da rede pública e reduzir o intervalo entre o atendimento inicial e o começo da terapia.

Também foi criado um comitê para acompanhar a implementação das linhas de cuidado relacionadas ao AVC e ao infarto. O grupo deverá avaliar medidas para ampliar o acesso aos medicamentos e aperfeiçoar o atendimento oferecido aos pacientes.

O Ministério da Saúde também trabalha na regulamentação e na definição de diretrizes para a implantação da estratégia em todo o território nacional.

Infarto e AVC representam um grande desafio para a saúde pública

A dimensão da medida pode ser observada pelos números registrados no país.

O Brasil contabiliza entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano, segundo informações do Ministério da Saúde.

Em 2025, o SUS registrou 292 mil atendimentos relacionados ao AVC. Desse total, 218 mil foram classificados como AVC isquêmico, situação em que um coágulo bloqueia uma artéria cerebral e prejudica a circulação de sangue e oxigênio.

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil. De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, mais de 100 mil pessoas morrem anualmente no país em decorrência do AVC.

Samu 192 já utiliza trombolíticos em situações específicas

A ampliação também envolve o atendimento pré-hospitalar. O Samu 192 já possui unidades habilitadas para administrar trombolíticos em situações selecionadas, seguindo protocolos e após avaliação das equipes de saúde.

Atualmente, 102 unidades do Samu 192 estão habilitadas para esse tipo de atendimento em sete estados. Minas Gerais aparece entre os estados com maior número de unidades habilitadas, com 22, atrás do Ceará, que possui 28.

Em 2025, foram registradas 861 aplicações de trombolíticos pelo Samu 192 em todo o país.

Medicamento pode custar cerca de R$ 7 mil

Além do impacto sobre o atendimento médico, a ampliação da oferta pelo SUS também pode representar redução de custos para pacientes e famílias.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o custo médio de um trombolítico utilizado nesses atendimentos pode chegar a R$ 7 mil. A incorporação mais ampla do tratamento à rede pública busca evitar que o acesso ao medicamento dependa da capacidade financeira do paciente.

O novo protocolo de atendimento deverá entrar em vigor seis meses após a sanção da lei, conforme informado pelo Ministério da Saúde.

Por que o atendimento rápido é tão importante?

Infarto e AVC são emergências médicas que exigem atendimento imediato. No infarto, a interrupção do fluxo sanguíneo pode provocar danos ao músculo do coração. No AVC isquêmico, a falta de oxigenação pode causar lesões cerebrais.

Por esse motivo, reconhecer os sinais e procurar atendimento rapidamente pode fazer diferença no resultado do tratamento.

Entre os sinais que podem indicar um AVC estão:

  • fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
  • dificuldade para falar ou compreender;
  • alteração repentina na visão;
  • perda de equilíbrio;
  • tontura intensa;
  • dificuldade para caminhar.

No infarto, sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea, palidez e sensação de desmaio exigem avaliação médica imediata. Diante da suspeita de uma emergência, a orientação é acionar o Samu pelo número 192 e informar o horário aproximado em que os sintomas começaram.

A ampliação dos trombolíticos no SUS tem justamente o objetivo de encurtar o caminho entre o início dos sintomas e o tratamento, especialmente em locais onde o acesso a hospitais de maior complexidade pode ser mais demorado.

 

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