Agro de Minas Gerais ultrapassa a mineração e assume a liderança histórica da economia do estado
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Pela primeira vez, o agronegócio mineiro se torna o principal setor do Produto Interno Bruto de Minas Gerais, movimentando cerca de R$ 250 bilhões em 2025 e marcando uma mudança estrutural na base econômica do estado
O agronegócio de Minas Gerais atingiu um marco histórico em 2025 ao ultrapassar a mineração e se tornar o setor mais importante da economia estadual. O chamado Produto Interno Bruto, que é a soma de todas as riquezas produzidas no estado, chegou a mais de R$ 1,1 trilhão no ano, e dentro desse total o campo passou a ter o maior peso de participação, com aproximadamente R$ 250 bilhões gerados somente pela agropecuária.
Esse avanço não aconteceu de forma repentina. Em 2019, o agronegócio mineiro movimentava pouco mais de R$ 117 bilhões. Em apenas alguns anos, o setor praticamente dobrou de tamanho, impulsionado pelo aumento da produtividade, pela expansão de áreas cultivadas, pela diversificação da produção e principalmente pela forte incorporação de tecnologia no campo, desde máquinas mais modernas até técnicas avançadas de manejo e gestão.
Esse crescimento foi decisivo para o resultado geral da economia mineira. Minas fechou 2025 com um PIB recorde, acima de R$ 1,1 trilhão, e o agro teve papel central nesse desempenho. Cadeias produtivas como café, leite, soja e milho seguem como pilares da produção em diferentes regiões do estado, sustentando tanto o mercado interno quanto as exportações.
Mas o novo cenário também traz um nível maior de exigência. Especialistas apontam que o agronegócio entra agora em uma fase em que produzir em grande escala não é mais suficiente. O mercado internacional, especialmente países da Europa, passou a exigir comprovação de práticas sustentáveis, rastreabilidade da produção e respeito a critérios ambientais e sociais ao longo de toda a cadeia.
Na prática, isso significa que o produtor rural precisa demonstrar, por exemplo, que não há desmatamento ilegal em sua área, que as leis trabalhistas são respeitadas e que boas práticas ambientais estão sendo aplicadas. Esses fatores já influenciam diretamente o acesso a crédito, a abertura de mercados internacionais e até o preço final dos produtos exportados.

Mesmo com esses desafios, Minas Gerais reúne condições consideradas favoráveis para avançar nesse novo modelo de desenvolvimento. O estado tem uma produção bastante diversificada, forte presença no comércio exterior — com exportações que chegam a mais de 170 países — e cadeias consolidadas em várias regiões, com destaque para o Sul de Minas na produção de café e leite e o Triângulo Mineiro e o Cerrado na produção de grãos em larga escala.
A avaliação de analistas do setor é que o agronegócio mineiro já se consolidou como o principal motor da economia estadual, mas agora precisa avançar para uma nova etapa: transformar crescimento em valor agregado, com mais inovação, sustentabilidade e maior presença nos mercados internacionais.
Um levantamento baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais mostra ainda quais são os 20 municípios que mais movimentam a produção agropecuária no estado na safra 2025/2026. O ranking evidencia a força regional do campo mineiro.
Na liderança está Uberaba, com R$ 4,12 bilhões, seguida por Unaí, com R$ 3,85 bilhões, e Paracatu, com R$ 3,10 bilhões. Em seguida aparecem Patrocínio, com R$ 2,85 bilhões, Perdizes, com R$ 2,20 bilhões, Sacramento, com R$ 1,95 bilhão, Araguari, com R$ 1,70 bilhão, e Frutal, com R$ 1,55 bilhão. Fechando o top 10 estão Rio Paranaíba, com R$ 1,45 bilhão, e Buritis, com R$ 1,26 bilhão.
Na sequência do ranking, que segue até os 20 maiores polos do agro mineiro, aparecem municípios de forte diversidade produtiva, reforçando a presença do campo em diferentes regiões do estado. O destaque vai para Rio Paranaíba, no Cerrado Mineiro, que figura entre os principais polos de produção agrícola de alta tecnologia, e também para São Gotardo, que aparece na 13ª posição, consolidando sua importância em culturas de alto valor agregado, como o alho e outras lavouras especializadas.
Segundo os dados consolidados por órgãos oficiais como o Ministério da Agricultura, o IBGE e a Emater de Minas Gerais, o ranking reforça a força do agronegócio distribuído pelo estado, com presença marcante no Triângulo Mineiro, Noroeste, Cerrado e também no Sul de Minas.
Em resumo, Minas Gerais vive uma virada histórica: o campo ultrapassou a mineração e passou a liderar a economia do estado. O desafio agora é sustentar esse crescimento com mais inovação, competitividade e sustentabilidade no longo prazo.
Com informações do Diário do Comércio / CNN / Emater e Agência Minas
Foto: Agência Minas e Seapa