Alho importado chega mais barato que o produzido em Minas e aumenta pressão sobre produtores
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Produto da China e da Argentina é vendido no Brasil por cerca de R$ 11 o quilo, enquanto custo de produção mineiro varia entre R$ 14 e R$ 15; área plantada no estado já diminuiu
Minas Gerais, responsável por cerca de metade da produção nacional de alho, enfrenta uma forte pressão provocada pela entrada de produto importado da China e da Argentina. O alho estrangeiro chega ao Brasil por cerca de R$ 11 o quilo, abaixo do custo de produção no estado, que varia entre R$ 14 e R$ 15, dificultando a comercialização e aumentando os prejuízos dos produtores.
A situação já provoca reflexos econômicos em municípios produtores. São Gotardo, Ibiá e Rio Paranaíba decretaram situação de emergência econômica no setor agropecuário, que inclui os impactos enfrentados pela cadeia do alho. A Associação Nacional dos Produtores de Alho afirma que custos elevados, endividamento, redução das margens e aumento das importações têm agravado a crise.
Segundo o presidente da Associação Mineira de Produtores de Alho, Flávio Márcio Ferreira da Silva, o problema se intensificou nos últimos 18 meses. Uma das principais reivindicações do setor é a aplicação de medidas de defesa comercial contra as importações da Argentina. De acordo com a entidade, a entrada de alho argentino teria aumentado de 6 milhões para 10 milhões de caixas de 10 quilos desde novembro.
O setor também questiona as condições de entrada do alho chinês no mercado brasileiro. O governo federal mantém um acordo de preços com quatro empresas chinesas, cujo valor começou em R$ 16,90 e atualmente está em R$ 15. Para os produtores mineiros, a redução acompanhou a queda dos preços no mercado e diminuiu a proteção à produção nacional.
Outra preocupação são decisões judiciais que suspendem, em alguns casos, a cobrança de direitos antidumping sobre o alho chinês. Antidumping é uma medida utilizada para combater a entrada de produtos estrangeiros vendidos a preços considerados prejudiciais à concorrência nacional. A Associação Nacional dos Produtores de Alho afirma ter levado o assunto ao Conselho Nacional de Justiça.
O presidente da associação mineira também aponta o chamado custo Brasil como um dos fatores que dificultam a concorrência. Segundo ele, produtores brasileiros enfrentam despesas maiores com encargos trabalhistas, impostos, energia elétrica e combustíveis em comparação com países que exportam alho para o Brasil.
A pressão sobre os preços já teve impacto na área plantada. Na safra atual, Minas Gerais tem aproximadamente 8,5 mil hectares cultivados com alho, contra 9,5 mil hectares na temporada anterior. A produtividade média estimada é de 15 mil quilos por hectare. Além da redução da área, temperaturas elevadas e chuvas fora de época também prejudicaram a produtividade.
O setor teme que a produção continue diminuindo caso não sejam adotadas medidas de proteção comercial. A avaliação da Associação Mineira de Produtores de Alho é que, sem mudanças nas condições de concorrência com o produto importado, o Brasil poderá ampliar cada vez mais a dependência do alho vindo do exterior.
Com informações Associação Mineira de Produtores de Alho e Diário do Comércio
Foto: ilustrativa Amipa
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