André Mendonça aponta possível interferência da PF nas investigações sobre o caso do INSS e exige esclarecimentos sobre os resultados das operações de busca e apreensão
Natural de Governador Valadares (MG), iniciou sua trajetória no rádio...
O ministro tomou conhecimento da alteração durante uma reunião realizada na manhã desta sexta-feira; segundo informações, ele não foi comunicado nem consultado previamente pelo diretor-geral

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
André Mendonça demonstrou irritação após a troca do delegado Guilherme Figueiredo Silva, responsável pelas investigações sobre supostas fraudes no INSS. O ministro do STF considerou a mudança uma possível interferência da Polícia Federal no andamento do inquérito e reclamou por não ter sido informado previamente pelo diretor-geral da corporação.
Mendonça soube da alteração apenas na manhã desta sexta-feira (15), durante uma reunião com integrantes da PF em seu gabinete. No encontro, ele exigiu esclarecimentos sobre a substituição do delegado e afirmou que acompanhará as investigações de perto para evitar atrasos ou qualquer tipo de seleção indevida do material apreendido.
O ministro também solicitou acesso aos resultados das buscas já realizadas e às análises do conteúdo recolhido até agora. O caso é considerado delicado politicamente porque Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, está entre os investigados. A pedido do delegado afastado do caso, o STF autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dele.
As investigações tentam identificar possíveis conexões entre Lulinha, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes e a empresária Roberta Luchsinger. Guilherme Silva ocupava desde julho de 2025 a chefia da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF e assinou importantes pedidos enviados ao Supremo, incluindo solicitações de prisão, mandados de busca e quebra de sigilos.
Com a mudança, o inquérito deixou a Coordenação de Repressão a Crimes Fazendários e passou para a área responsável por corrupção, crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Apesar da troca de setor, quase toda a equipe foi mantida — com exceção do delegado que liderava o caso. Até o momento, a Polícia Federal não comentou oficialmente a decisão.