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Brasil

Cerca de 8 milhões de famílias com direito à redução na tarifa de energia elétrica não estão sendo contempladas pelo benefício

Antônio Campos

Natural de Governador Valadares (MG), iniciou sua trajetória no rádio...

Problemas no cruzamento de informações, registros desatualizados e até obstáculos no acesso ao ambiente digital dificultam a obtenção da tarifa social por quem mais necessita

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A conta de energia entre R$ 350 e R$ 400 compromete quase toda a renda de Rosane Lopes, de 64. Vivendo com o marido e o neto, ela depende de eletrodomésticos básicos no dia a dia, o que torna inviável reduzir o consumo. Mesmo atendendo aos critérios da Tarifa Social de Energia Elétrica, que oferece descontos para famílias de baixa renda, ela nunca conseguiu acessar o benefício.

A situação de Rosane reflete um problema mais amplo: cerca de 7,9 milhões de famílias que teriam direito à tarifa social ainda estão fora do programa, apesar de estarem inscritas no Cadastro Único e dentro dos limites de renda. Entre os principais entraves estão falhas no cruzamento de dados, inconsistências cadastrais, informações desatualizadas e dificuldades de acesso aos serviços, especialmente para quem tem pouca familiaridade com o ambiente digital ou vive longe de postos de atendimento.

Atualmente, o programa atende cerca de 16,4 milhões de famílias, mas poderia alcançar até 24,3 milhões. O modelo foi reformulado recentemente e passou a prever isenção na tarifa para consumo de até 80 kWh por mês. Ainda assim, especialistas apontam problemas estruturais na integração das bases de dados, o que impede a inclusão automática de todos os beneficiários.

Segundo análises, divergências mínimas entre informações do Cadastro Único, da Aneel e das distribuidoras já são suficientes para bloquear o acesso. Além disso, a necessidade de manter os dados atualizados e cumprir exigências burocráticas dificulta ainda mais o processo, sobretudo para idosos, pessoas com deficiência e famílias em situação de vulnerabilidade.

Especialistas também destacam que o principal desafio não é legal, mas operacional e tecnológico. Muitas distribuidoras ainda utilizam processos manuais, o que gera atrasos e falhas. Soma-se a isso a falta de informação: grande parte da população elegível desconhece o direito ao benefício ou não sabe como solicitá-lo.

Embora as distribuidoras afirmem realizar campanhas e ações de busca ativa, a atualização do Cadastro Único continua sendo responsabilidade das famílias, o que contribui para a exclusão de quem mais precisa.

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