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Agronegócio

Endividamento no campo aumenta em Minas e preocupa setor por possível impacto no preço dos alimentos

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Levantamento aponta que 7,3% dos produtores rurais mineiros estavam inadimplentes no primeiro trimestre de 2026; alta nos custos, juros elevados e dificuldade de acesso ao crédito pressionam a produção agropecuária

 

A dificuldade financeira dos produtores rurais aumentou em Minas Gerais e já acende um alerta para o setor agropecuário. Um levantamento da Serasa Experian aponta que a inadimplência entre a população rural mineira chegou a 7,3% no primeiro trimestre de 2026, crescimento em relação ao mesmo período do ano passado e também na comparação com os últimos três meses de 2025.

O estudo considera produtores com dívidas em atraso há mais de 180 dias. Apesar do avanço, Minas Gerais ainda aparece entre os estados com menores índices de inadimplência rural do país, ocupando a quinta posição entre os menores percentuais.

No Brasil, a situação também preocupa. A taxa de produtores rurais com dívidas em atraso chegou a 8,8% no primeiro trimestre deste ano, aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo especialistas, o aumento da inadimplência no campo é resultado de uma combinação de fatores, como custos elevados de produção, oscilações nos preços recebidos pelos agricultores e pecuaristas, além da maior dificuldade para conseguir crédito. Em Minas, o impacto é ainda mais sentido em cadeias importantes para a economia do estado, como o café e o leite, atividades que dependem diretamente das condições climáticas e das variações de mercado.

O levantamento mostra que a alta da inadimplência atingiu todos os grupos de produtores. Entre os agricultores sem informações formais de atividade rural, como alguns arrendatários e grupos familiares, o índice chegou a 11%. Entre os grandes produtores, a inadimplência alcançou 7,9%. Já entre pequenos proprietários ficou em 6,6%, enquanto os médios produtores chegaram a quase 7%.

Para representantes do setor, o cenário reduz a capacidade de investimento no campo. Com menos acesso a crédito e dinheiro disponível para manter as atividades, produtores podem adiar a compra de insumos, diminuir investimentos em tecnologia, atrasar a manutenção de máquinas e enfrentar dificuldades para financiar novas safras ou manter a produtividade dos rebanhos.

O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, afirma que o avanço da inadimplência é um sinal de atenção, principalmente diante dos juros elevados cobrados do setor produtivo. Segundo ele, a dificuldade financeira dos produtores pode afetar não apenas o campo, mas também o consumidor.

A preocupação é que uma redução na produção de alimentos provoque reflexos nos preços dos produtos vendidos nos supermercados. A avaliação é que safras maiores ajudam a manter os preços controlados, enquanto uma produção menor pode aumentar custos e pressionar a inflação.

Para a Serasa Experian, a tendência é que a inadimplência rural continue em nível elevado nos próximos meses. Uma melhora dependerá de fatores como boas safras, recuperação dos preços dos produtos agrícolas, maior acesso ao crédito e reorganização financeira dos produtores.

Com informações da Serasa e Diário do Comércio

Foto: ilustrativa

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