Inadimplência empresarial dispara em Minas Gerais e dívidas chegam a R$ 22,8 bilhões
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Número de empresas com débitos em atraso cresceu 24,5% em um ano; juros altos e desaceleração da economia dificultam a recuperação dos negócios
Minas Gerais registrou forte aumento na inadimplência empresarial em julho de 2026. Segundo levantamento da Serasa Experian, 915.410 empresas estavam com dívidas negativadas no estado, somando R$ 22,8 bilhões em débitos. O número representa alta de 24,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Em média, cada empresa inadimplente acumulou sete contas em atraso. A dívida média chegou a R$ 24.911 por empresa, enquanto o valor médio de cada pendência foi de R$ 3.538,89.
A situação também piorou na comparação entre junho e julho. O número de empresas negativadas passou de 907.558 para 915.410, crescimento de 0,87%. No mesmo período, a quantidade de dívidas aumentou de 6.323.710 para 6.443.860, enquanto o valor total dos débitos subiu de R$ 22,04 bilhões para R$ 22,8 bilhões.
De acordo com Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, os juros estão entre os principais fatores que pressionam as empresas, mas não são a única causa do endividamento. Mesmo após cortes recentes na taxa básica de juros, a Selic, as condições de crédito continuam restritivas, dificultando tanto a contratação de novos recursos quanto a renegociação de dívidas.
A maior parte das pendências, no entanto, não está ligada diretamente ao sistema financeiro. No cenário nacional, 75,7% das dívidas empresariais estavam fora de bancos e financeiras. Os débitos relacionados a serviços representaram 31,7% do total, seguidos por bancos e cartões, com 19,7%; cooperativas, com 8,5%; serviços públicos, chamados de utilities, com 6,9%; e telefonia, com 6,2%. Bancos, cartões e financeiras, juntos, responderam por 24,3% das pendências.
Os serviços também concentram a maior parcela das empresas inadimplentes no país. O setor representava 55,8% dos negócios negativados em julho, seguido pelo comércio, com 32,1%; indústria, com 8%; e setor primário, com 1%.
As micro e pequenas empresas são as mais afetadas pelo cenário. Em julho, 8,7 milhões de CNPJs desse grupo estavam negativados no Brasil, acumulando 60,5 milhões de dívidas que totalizavam R$ 206 bilhões. Cada empresa tinha, em média, 6,9 contas em atraso, com dívida média de R$ 23.574,33 e valor médio de R$ 3.403,77 por pendência.
Segundo a Serasa, essas empresas enfrentam dificuldades adicionais porque já encontram mais barreiras para obter financiamento, recurso importante para manter o capital de giro e as atividades do negócio.
A perspectiva para os próximos meses ainda exige cautela. A desaceleração da atividade econômica pode limitar o crescimento das receitas das empresas, enquanto a expectativa de manutenção de juros elevados por mais tempo dificulta uma recuperação mais rápida. Para a economista Camila Abdelmalack, uma melhora consistente da inadimplência dependerá de crédito menos restritivo, maior capacidade das empresas de gerar caixa e uma melhora do ambiente econômico.
Minas Gerais aparece como o segundo estado brasileiro com maior número de empresas inadimplentes em julho, atrás apenas de São Paulo, que registrou 3.147.102 negócios negativados. O Rio de Janeiro ficou em terceiro lugar, com 870.189 empresas, seguido pelo Paraná, com 607.497, e pelo Rio Grande do Sul, com 533.041.
Com informações da Serasa / CNN e Diário do Comércio
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