Receber cerca de R$ 3,6 mil por mês já é suficiente para colocar um brasileiro entre os 10% mais ricos do país. O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, que analisou os rendimentos da população brasileira em 2025.
O levantamento mostra como a desigualdade social continua profunda no Brasil. Apesar de o valor estar longe da imagem tradicional de riqueza, ele já posiciona a pessoa acima da renda da grande maioria da população. A pesquisa considera a renda média por pessoa dentro da residência, somando salários, aposentadorias, pensões, programas sociais e trabalhos informais ou autônomos.
Na outra ponta da pirâmide social, grande parte dos brasileiros vive com renda abaixo do chamado mínimo existencial, valor estimado em R$ 600 por mês e considerado o básico para garantir condições mínimas de sobrevivência. O cenário reforça a dificuldade enfrentada diariamente por milhões de famílias no país.
Veja abaixo a distribuição da renda média mensal no Brasil em 2025:
- 1% mais rico: renda média de R$ 24,9 mil por pessoa — cerca de 2,1 milhões de brasileiros;
- 4% mais ricos: renda média de R$ 9.648 por pessoa — aproximadamente 10,6 milhões de brasileiros;
- 10% mais ricos: renda média de R$ 3.590 por pessoa — cerca de 21,2 milhões de brasileiros;
- 50% da população brasileira: renda média de R$ 1.311 por pessoa — aproximadamente 106,1 milhões de brasileiros.
A pesquisa também aponta crescimento na renda média nacional em comparação aos anos anteriores. Segundo o IBGE, a melhora foi impulsionada principalmente pela recuperação do mercado de trabalho, pela redução do desemprego e pelo aumento do número de trabalhadores com carteira assinada.
Mesmo com os avanços econômicos registrados em 2025, o estudo mostra que a concentração de renda continua elevada no Brasil. Enquanto uma pequena parcela da população concentra os maiores ganhos, milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para custear alimentação, aluguel, transporte e medicamentos.
Os números foram divulgados nesta quinta-feira, dia 8 de maio, e reforçam um retrato persistente do país: a economia dá sinais de recuperação, mas a desigualdade social segue como um dos principais desafios nacionais.