EUA colocam Pix na mira e acusam sistema brasileiro de prejudicar empresas americanas
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Relatório do governo Donald Trump aponta suposto favorecimento ao Pix e pode servir de base para novas sanções comerciais contra o Brasil, incluindo tarifas sobre produtos exportados para os Estados Unidos
O sistema Pix, criado pelo Banco Central e utilizado diariamente por milhões de brasileiros, passou a ser alvo de críticas do governo dos Estados Unidos. Em relatório divulgado nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, órgão responsável por questões de comércio internacional, acusa o Brasil de favorecer o Pix em detrimento de empresas americanas que atuam no setor de pagamentos eletrônicos.
Segundo o documento, o governo americano entende que regras adotadas pelo Banco Central beneficiam o sistema brasileiro e colocam em desvantagem empresas como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay. Os Estados Unidos alegam que o Pix recebe tratamento preferencial e que instituições financeiras são obrigadas a oferecer e destacar a ferramenta em seus aplicativos e plataformas digitais.
O relatório é resultado de uma investigação aberta há quase um ano pelo governo do presidente Donald Trump para analisar supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos. Entre as recomendações apresentadas está a possibilidade de aplicação de tarifas de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.
Para os representantes do governo americano, o fato de o Banco Central atuar ao mesmo tempo como regulador do sistema financeiro e responsável pela operação do Pix geraria um conflito de interesses. O documento afirma que essa situação teria favorecido o crescimento da ferramenta brasileira em relação aos concorrentes privados.
Especialistas, porém, contestam essa interpretação. O professor de economia da Universidade Estadual de Campinas, Pedro Paulo Zahluth Bastos, avalia que a ofensiva dos Estados Unidos está relacionada ao sucesso do Pix e à perda de espaço das grandes empresas de pagamento eletrônico no mercado brasileiro.
Segundo ele, o sistema nacional se consolidou por oferecer transferências instantâneas, gratuitas para pessoas físicas e disponíveis em qualquer horário do dia, reduzindo a dependência de cartões e outras formas de pagamento que cobram taxas dos comerciantes.
O economista argumenta ainda que o Pix não impede a atuação das empresas estrangeiras, mas concorre diretamente com elas ao oferecer uma alternativa pública e de baixo custo. Atualmente, o volume de transações realizadas pelo sistema brasileiro já supera o movimentado por importantes bandeiras internacionais de cartões no país.
O governo brasileiro e os setores afetados ainda poderão apresentar argumentos e questionamentos às autoridades americanas até o dia 15 de julho. A partir dessa data, os Estados Unidos poderão decidir se adotam ou não medidas comerciais contra o Brasil.
A discussão também ocorre em um momento em que o Pix amplia sua presença internacional e passa a ser utilizado como alternativa em operações financeiras fora do país, aumentando sua relevância no mercado global de pagamentos digitais.
Nos bastidores, a avaliação é de que a disputa envolve não apenas questões regulatórias, mas também uma concorrência direta pelo controle de um mercado bilionário de pagamentos eletrônicos, no qual o sistema brasileiro vem conquistando espaço e reduzindo a participação de empresas estrangeiras.
Com informações da Agência Brasil