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Economia

Fim da escala 6 por 1 pode elevar preços nos supermercados em até 10%, alerta setor

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Presidente da Associação Paulista de Supermercados afirma que a mudança na jornada de trabalho pode aumentar custos, agravar a falta de trabalhadores e provocar reflexos no preço dos produtos e serviços em diversos setores da economia

A possível extinção da escala de trabalho de seis dias seguidos por um de folga, conhecida como 6 por 1, pode resultar em aumento nos preços dos produtos vendidos nos supermercados e gerar impactos em diferentes áreas da economia brasileira. O alerta foi feito neste sábado (13) pelo presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Ortega, durante entrevista à CNN Brasil.

Segundo o dirigente, o setor supermercadista já enfrenta dificuldades para contratar funcionários e a mudança nas regras de jornada de trabalho pode agravar ainda mais o cenário. Apenas no estado de São Paulo, os supermercados acumulam atualmente um déficit de cerca de 35 mil trabalhadores.

De acordo com Ortega, a redução da jornada exigiria a contratação de aproximadamente 10% mais funcionários para manter as operações em funcionamento. O problema, segundo ele, é que além de haver escassez de mão de obra disponível, o aumento no quadro de empregados elevaria significativamente os custos das empresas.

A estimativa da entidade é de que o impacto financeiro fique entre 9% e 10%, percentual que, na avaliação do setor, acabaria sendo repassado ao consumidor. Para o presidente da Apas, os efeitos não se restringiriam aos supermercados, atingindo também áreas como condomínios, hospitais, bares, restaurantes e a agricultura.

Apesar das críticas ao fim da escala 6 por 1, Ortega afirmou que a adoção do modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso, mantendo a carga de 44 horas semanais, já é uma realidade em diversas lojas paulistas e tem apresentado resultados positivos. Segundo ele, esse formato garante duas folgas ao trabalhador sem provocar um aumento expressivo nos custos operacionais.

O dirigente, porém, ressalta que pequenos e médios supermercados, que representam a maior parte das cerca de 27 mil lojas existentes no estado de São Paulo, teriam dificuldades para se adaptar caso haja redução das horas de trabalho sem mecanismos mais flexíveis de organização da jornada.

Por isso, a entidade defende a aprovação do Projeto de Lei nº 12, em análise no Senado, que prevê maior liberdade para definir escalas de trabalho. Ortega também elogiou a condução do debate no Senado e destacou que mais de 3 mil entidades ligadas ao setor produtivo, incluindo confederações empresariais e industriais, assinaram um manifesto manifestando preocupação com os impactos de uma eventual mudança feita sem ampla discussão.

Para o presidente da Apas, o debate sobre a jornada de trabalho deve envolver empresários, trabalhadores e consumidores, buscando equilíbrio entre a proteção aos empregados e a sustentabilidade das empresas. Ele afirmou ainda que a modernização das relações de trabalho poderia incentivar a formalização de mais de 20 milhões de brasileiros que hoje atuam sem carteira assinada e defendeu a construção de soluções que fortaleçam tanto os trabalhadores quanto as empresas.

Com informações da CNN

Foto:FreePik ilutrativa

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