Safra de azeite na Mantiqueira bate recorde e produção deve chegar a 300 mil litros em 2026
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Impulsionada pelo clima favorável e pela expansão dos olivais em Minas Gerais, produção de azeite no Sudeste dobra em relação a 2024 e registra recuperação histórica após a baixa safra do ano passado
A produção de azeite na Serra da Mantiqueira e em outras regiões produtoras do Sudeste brasileiro deve atingir um marco histórico em 2026. A expectativa é de que a safra alcance cerca de 300 mil litros, mais que o dobro dos 150 mil litros registrados em 2024 e cinco vezes superior aos cerca de 60 mil litros produzidos em 2025, ano marcado por uma colheita fraca.
O desempenho é puxado principalmente por Minas Gerais, maior produtor de azeite do País, e reflete as condições climáticas favoráveis registradas no ano anterior. Segundo o presidente da Associação dos Olivicultores da Mantiqueira e Sudeste (Assoolive), Moacir Batista do Nascimento Filho, o frio durante o período de floração das oliveiras foi decisivo para garantir uma colheita mais abundante neste ano.
De acordo com ele, a produção de azeite depende diretamente do comportamento do clima, especialmente das baixas temperaturas registradas meses antes da colheita. O setor, considerado ainda jovem no Brasil, começou a ganhar força em Minas Gerais a partir de 2008, com pesquisas desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé, no Sul de Minas.
Além da recuperação da produção, a olivicultura mineira também avança em novas áreas. Os olivais, antes concentrados na Serra da Mantiqueira, estão se expandindo para a Serra do Espinhaço e para outros municípios mineiros, ampliando o potencial produtivo do Estado. Mesmo com o crescimento, a produção nacional de azeite ainda representa apenas cerca de 1% da demanda brasileira, estimada em aproximadamente 1 milhão de litros.
Outro destaque da safra de 2026 é o fortalecimento da certificação de qualidade dos azeites produzidos na região. O Selo de Certificação de Origem da Assoolive, criado em 2012, passou a exigir neste ano, além das análises físico-químicas que verificam a composição e a pureza do produto, também avaliações sensoriais, que analisam aroma, sabor e a ausência de defeitos no azeite.
A adesão ao selo é voluntária e destinada aos produtores associados à entidade, mas já é utilizada por cerca de 20 marcas, funcionando como um diferencial de mercado e uma garantia adicional ao consumidor sobre a autenticidade e a qualidade do produto.
Atualmente, o azeite mineiro é comercializado entre R$ 80 e R$ 120 a garrafa de 250 mililitros, dependendo da marca e do local de venda. Grande parte das vendas ocorre em empórios regionais e diretamente nas propriedades rurais, impulsionadas pelo crescimento do olivoturismo, modalidade que permite aos visitantes conhecerem todas as etapas de produção, desde o cultivo das oliveiras até a extração do azeite.
Para que o setor continue em expansão, a Assoolive defende mais investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Segundo Moacir Nascimento, o fortalecimento de instituições de pesquisa, como a Epamig e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além da criação de políticas de incentivo e da introdução de novas variedades de oliveiras, será fundamental para aumentar a produtividade e consolidar a olivicultura mineira como uma atividade cada vez mais importante para a economia do Estado e do País.
Com informações do Diário do Comércio – Embrapa – Assoolive
Foto: Assoolive