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Agronegócio

Emater-MG aposta na pimenta-do-reino como alternativa de renda e impulsiona produção no Mucuri e Jequitinhonha

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Iniciativa leva orientação técnica a agricultores familiares e estimula expansão da cultura em regiões quentes do estado; produção já avança em municípios como Teófilo Otoni e Ataléia e pode ganhar força com novos investimentos e organização de produtores

 

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) tem incentivado o cultivo de pimenta-do-reino em áreas de clima quente no estado, com foco principalmente nos Vales do Mucuri e Jequitinhonha. A proposta é diversificar a produção agrícola e ampliar a geração de renda para agricultores familiares, que já começam a adotar a cultura em pequenas propriedades.

Segundo a Emater-MG, o cultivo vem se consolidando em municípios como Ataléia, Novo Oriente de Minas, Teófilo Otoni e Águas Formosas, onde as condições climáticas favorecem o desenvolvimento da planta. O Espírito Santo segue como o principal produtor e exportador do país, responsável por cerca de 60% da produção nacional, mas Minas Gerais vem ampliando sua participação com iniciativas em menor escala voltadas à complementação de renda no campo.

O coordenador regional de Culturas da Emater-MG, Sandro Rodrigues da Silva, explica que muitos produtores mineiros iniciam o plantio em áreas reduzidas, geralmente junto a outras atividades como café ou pecuária, como forma de diversificação econômica. Ele destaca ainda que a cultura se adapta bem ao clima mais quente da região, o que favorece sua expansão.

Para fortalecer o setor, a Emater-MG também atua na orientação técnica e no apoio à estruturação do chamado zoneamento agrícola de risco climático, uma ferramenta que ajuda a indicar as melhores condições de plantio e reduzir perdas causadas por variações do clima. Esse estudo é desenvolvido em nível nacional pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, com colaboração de órgãos estaduais de agricultura e extensão rural, e é utilizado como base para liberação de crédito e seguro rural.

Além do acompanhamento técnico no campo, a instituição tem promovido encontros, simpósios e dias de campo, como os realizados recentemente em Teófilo Otoni, reunindo produtores de diferentes municípios. Nesses eventos, especialistas de Minas Gerais e de outros estados compartilham orientações sobre plantio, manejo, produtividade e comercialização, além de discutir o cenário do mercado da pimenta-do-reino.

O produto, segundo técnicos do setor, apresenta variações significativas de preço ao longo do tempo. Atualmente, o quilo é comercializado em média por 26 reais, mas já chegou a ser vendido por 7 reais em períodos de baixa e atingiu cerca de 40 reais em momentos de alta, o que influencia diretamente o planejamento dos produtores.

Entre os agricultores que apostam na cultura está Dionísia Jardim, produtora de Ataléia, que iniciou o plantio há três anos. Ela afirma que a pimenta-do-reino tem apresentado bom desempenho na região e, em alguns casos, melhor adaptação do que o café, cultura tradicional no estado. Hoje, ela mantém cerca de sete mil pés em produção, em uma área de aproximadamente um hectare, e pretende ampliar o cultivo.

A produtora também destaca que a venda do produto tem ocorrido com facilidade na região e cita a possibilidade de instalação de uma estrutura de armazenamento em Teófilo Otoni por uma empresa nacional, o que pode transformar o município em um polo de comercialização da especiaria. Outro movimento entre agricultores é a organização de uma cooperativa para facilitar a exportação.

Atualmente, a produção dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha é encaminhada principalmente para o Espírito Santo, de onde segue para mercados da Europa, Estados Unidos e países asiáticos. O Brasil está entre os maiores exportadores de pimenta-do-reino do mundo e ocupa a segunda posição na produção global, atrás apenas do Vietnã, com cerca de 90% da produção nacional destinada ao mercado externo.

Com informações da Agência Minas

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