Alta dos juros no mundo aumenta pressão sobre o Brasil e coloca controle da dívida pública como desafio para o próximo governo
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Com o custo do dinheiro elevado nas principais economias, especialistas defendem que o futuro governo apresente rapidamente um plano para controlar os gastos públicos e conter o avanço da dívida, evitando impactos sobre os juros, a inflação e os investimentos
O cenário de juros elevados em diversos países voltou a acender o alerta sobre a situação das contas públicas brasileiras. Economistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico avaliam que o próximo governo terá pouco tempo para apresentar um plano consistente capaz de conter o crescimento da dívida pública e recuperar a confiança de investidores nacionais e estrangeiros. A preocupação é que, sem uma estratégia clara logo no início do mandato, o Brasil enfrente ainda mais dificuldades para reduzir os juros, controlar a inflação e estimular o crescimento da economia.
A avaliação de especialistas é que o caminho mais viável passa pelo controle dos gastos do governo. Segundo eles, há pouco espaço para aumentar impostos sem prejudicar a atividade econômica, tornando necessária uma revisão das despesas obrigatórias, como regras de reajuste de salários do funcionalismo, programas permanentes de gastos, benefícios e outros compromissos que consomem grande parte do orçamento federal.
O debate ganhou força porque a dívida pública brasileira deve continuar crescendo nos próximos anos, impulsionada principalmente pelo alto custo dos juros. Como boa parte dos títulos emitidos pelo governo é corrigida pela taxa básica de juros, cada período prolongado de juros elevados aumenta as despesas com o pagamento dessa dívida, pressionando ainda mais as contas públicas. Projeções oficiais e de instituições independentes apontam que a relação entre a dívida e o tamanho da economia brasileira seguirá em trajetória de alta nos próximos anos, mesmo com expectativa de melhora gradual no resultado das contas do governo.
Economistas destacam que os primeiros meses do próximo mandato serão decisivos para transmitir credibilidade ao mercado financeiro. A expectativa é que sejam anunciadas medidas concretas de equilíbrio fiscal, capazes de mostrar que o governo pretende reduzir o ritmo de crescimento da dívida. Segundo os analistas, sinais rápidos de responsabilidade na condução das contas públicas ajudam a diminuir a percepção de risco do país, favorecem a queda dos juros no futuro, estimulam investimentos e criam um ambiente mais favorável para a geração de empregos e o crescimento econômico.
Com informações do Valor Econômico e Folha On line
Foto: ilsutrativa FreePik