El Niño ameaça calendário agrícola, pode reduzir safras e aumenta preocupação no agronegócio brasileiro
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
O avanço do fenômeno climático El Niño acende um alerta para o agronegócio brasileiro no segundo semestre de 2026. Especialistas apontam que a alteração nas temperaturas do Oceano Pacífico pode provocar mudanças no regime de chuvas, atrasar o plantio de grãos, reduzir a produtividade de algumas culturas e trazer dificuldades para a criação de animais.
O fenômeno ocorre quando há um aquecimento acima do normal das águas do Pacífico na região próxima à linha do Equador. Essa mudança interfere na distribuição das chuvas e nas temperaturas em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões: enquanto algumas áreas podem enfrentar períodos de seca, outras podem registrar excesso de chuva.
A preocupação aumenta porque o setor rural já enfrenta outros desafios, como juros elevados e aumento dos custos de produção, principalmente após impactos no mercado de fertilizantes e combustíveis provocados pela guerra no Irã.
Segundo especialistas, a irregularidade das chuvas pode afetar principalmente o plantio da soja, principal grão produzido pelo país, e também comprometer o milho cultivado após a colheita da oleaginosa. O calendário da soja normalmente ocorre entre setembro e dezembro, mas a falta ou o atraso das chuvas pode reduzir o período ideal para o cultivo e prejudicar a chamada segunda safra de milho.
No Centro-Oeste, uma das principais regiões produtoras de grãos do Brasil, o risco é de atraso no início do plantio. Já no Sul, o excesso de chuva pode afetar culturas como trigo e arroz, além de aumentar o risco de perda de qualidade dos produtos. No Sudeste, entre as culturas que podem sofrer impactos está o café.
As regiões Norte e Nordeste também estão no radar dos especialistas, principalmente áreas do Matopiba — formado por partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — onde existe possibilidade de períodos de seca mais intensa. No Sul do país, o alerta é para chuvas acima da média e possibilidade de alagamentos.
Na pecuária, o problema pode aparecer com a redução da qualidade das pastagens. Com menos alimento disponível no campo, os produtores podem precisar aumentar o uso de ração, elevando os custos de produção, já que ingredientes como milho e soja também podem ficar mais caros caso as lavouras sejam afetadas.
Especialistas alertam ainda que uma eventual redução na oferta de grãos pode pressionar os preços dos alimentos para o consumidor. Produtos de ciclo mais curto, como frutas e hortaliças, costumam sentir os efeitos das mudanças climáticas com mais rapidez.
Apesar dos alertas, pesquisadores afirmam que ainda é cedo para prever o tamanho dos possíveis prejuízos. O comportamento do clima nos próximos meses será decisivo para confirmar a intensidade dos impactos. Para produtores rurais, a recomendação é manter boas práticas de manejo e acompanhar as previsões para tomar decisões durante o período de plantio.
Com informações da Folha Press
Foto: ilustrativa