Intenção de compra de imóveis bate recorde no Brasil, mas classe média busca apartamentos menores
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Pesquisa aponta que 52% dos brasileiros pretendem comprar um imóvel em 2026; com juros e endividamento elevados, compradores priorizam unidades usadas, menores e mais baratas
A intenção de compra de imóveis no Brasil chegou a 52% em 2026, o maior índice já registrado pela consultoria Brain e nove pontos percentuais acima da média observada desde 2019. O aumento do interesse, porém, ocorre em um cenário de oferta insuficiente de imóveis novos para atender principalmente à classe média, que tem encontrado alternativas em unidades usadas ou em apartamentos menores e mais baratos.
Em São Paulo, por exemplo, os imóveis de dois dormitórios com até 45 metros quadrados vêm ganhando espaço. Das 6,5 mil unidades residenciais lançadas na capital paulista em maio, mais da metade tinha dois quartos. Esse tipo de imóvel respondeu por 65% das vendas no mês.
A mudança também acompanha o perfil dos compradores. Dados do Secovi mostram que 59% dos contratos do programa Minha Casa, Minha Vida em 2025 foram fechados por pessoas das gerações Z e Millennials. Os novos empreendimentos voltados a esse público têm preços entre 275 mil e 400 mil reais, faixa que se enquadra nos novos limites das faixas 2 e 3 do programa. O teto de financiamento também foi ampliado para até 450 mil reais.
Com orçamento pressionado pelo endividamento e pelos juros elevados, os compradores estão antecipando a aquisição do primeiro imóvel, mas fazendo concessões para conseguir fechar negócio. Famílias menores, preferência por regiões bem localizadas e disposição para abrir mão de alguns metros quadrados estão entre as características desse novo comportamento.
No Rio de Janeiro, o mercado também apresenta uma tendência semelhante de crescimento da procura por imóveis compactos. A estratégia permite reduzir o valor da compra sem abrir mão da busca pela casa própria.
Mesmo diante das restrições financeiras, o mercado imobiliário continua aquecido no país. Segundo o Secovi de São Paulo, os financiamentos imobiliários somaram 180 bilhões e 900 milhões de reais no primeiro semestre, crescimento de 23%. Os números mostram que a demanda continua forte, mas também revelam um consumidor mais atento ao preço e disposto a adaptar o tamanho e o padrão do imóvel às condições do orçamento.
Com informações de O Globo – Portal UAI e Valor Econômico
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