Endividamento das famílias brasileiras cai pela primeira vez em nove meses, mas contas em atraso ainda atingem quase 30%
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Pesquisa da CNC aponta redução das dívidas em setembro, mas revela que o tempo médio de inadimplência chegou a 65 dias, o maior desde novembro de 2024.
O endividamento das famílias brasileiras recuou em setembro, interrompendo uma sequência de altas que vinha desde o início do ano. Apesar da melhora, mais de oito em cada dez famílias continuam com algum tipo de dívida, e quase 30% enfrentam dificuldades para manter as contas em dia. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O levantamento mostra que a proporção de famílias endividadas passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro. A redução de 0,3 ponto percentual foi a primeira registrada desde dezembro de 2025 e interrompeu o movimento de crescimento do indicador observado nos meses anteriores.
A inadimplência também apresentou recuo. O percentual de famílias com contas vencidas caiu de 29,9% para 29,6% no período. O resultado ficou abaixo dos 30,5% registrados em setembro do ano passado, indicando uma melhora tanto na comparação mensal quanto na anual.
Por outro lado, a parcela de famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas em atraso permaneceu em 12,5%, sem alteração em relação a agosto.
Um dos dados que mais chamam a atenção na pesquisa é o aumento do tempo que os consumidores permanecem inadimplentes. Em setembro, o atraso médio no pagamento das contas chegou a 65,3 dias, o maior patamar desde novembro de 2024. Isso significa que, embora tenha diminuído a proporção de famílias com pagamentos atrasados, aquelas que continuam inadimplentes estão levando mais tempo para regularizar a situação.
O peso das dívidas sobre a renda familiar também permanece elevado. Segundo a CNC, 19,4% das famílias comprometem mais da metade dos rendimentos mensais com o pagamento de dívidas. Considerando o conjunto dos entrevistados, o comprometimento médio da renda chegou a 29,6%.
Os números mostram que a redução do endividamento ainda não representa uma recuperação ampla das condições financeiras das famílias. A diminuição dos atrasos convive com um orçamento doméstico pressionado, especialmente entre os consumidores que já enfrentam dificuldades para quitar seus compromissos.
Para os próximos meses, a Confederação Nacional do Comércio projeta novas reduções na inadimplência, acompanhadas de uma estabilização do endividamento. A perspectiva da entidade é de que esse movimento contribua para uma recuperação gradual do equilíbrio financeiro das famílias brasileiras.
Com informações da CNC
Foto: ilustrativa
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