Produção de ovos em Minas cresce 4,9% e supera avanço nacional no primeiro semestre
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Estado produziu 251,5 milhões de dúzias e mantém a segunda posição no ranking brasileiro. Ganhos de produtividade sustentam expansão, enquanto preços oscilam e exportações recuam
A produção de ovos em Minas Gerais alcançou 251,5 milhões de dúzias no primeiro semestre de 2026, crescimento de 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho ficou acima da média nacional, que registrou expansão de apenas 0,4%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Minas é o segundo maior produtor de ovos do país, atrás somente de São Paulo.
O avanço da produção mineira ocorreu principalmente pelo aumento da produtividade das granjas. Enquanto o volume produzido cresceu 4,9%, o plantel médio de aves aumentou apenas 1,62%, indicando maior eficiência na atividade.
No Brasil, a produção somou 2,46 bilhões de dúzias nos primeiros seis meses do ano. Para o fechamento de 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta uma produção nacional de 64,8 bilhões de ovos, crescimento de até 4,1% em comparação com os 62,253 bilhões de unidades registrados em 2025.
Apesar dos resultados positivos na produção, a oscilação dos preços continua sendo um desafio para os avicultores. Segundo levantamento da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o ovo branco extra chegou a R$ 201 por caixa de 30 dúzias em abril, mas recuou para R$ 144 em 6 de outubro. No mesmo período, o ovo vermelho extra, que havia alcançado R$ 223, passou a ser comercializado a R$ 162.
Nas cotações disponíveis até 6 de outubro, os preços médios ficaram em aproximadamente R$ 150,40 para o ovo branco extra e R$ 166,40 para o vermelho extra, considerando a caixa de 30 dúzias.
Para a analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Nathália Rabelo, os ganhos de produtividade são fundamentais para a competitividade das granjas, mas precisam ser acompanhados por uma gestão eficiente dos custos.
“Os preços dos ovos têm apresentado bastante volatilidade e esse comportamento reforça a importância da gestão de custos e da margem. Para o produtor, não basta produzir mais, é preciso acompanhar produtividade, custo por dúzia e preço de venda para transformar eficiência produtiva em rentabilidade”, explicou.
O mercado externo ainda representa uma parcela pequena da atividade em Minas Gerais. Em 2025, aproximadamente 1,8% da produção estadual foi destinada à exportação. Entre janeiro e setembro de 2026, os embarques mineiros somaram cerca de 6,34 mil toneladas, queda de 8,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do recuo acumulado, as vendas externas apresentaram recuperação em agosto e setembro. Segundo Nathália Rabelo, as exportações oferecem oportunidades de diversificação comercial, mas o mercado interno continua sendo o principal destino da produção mineira.
A expansão do consumo no Brasil ajuda a explicar o crescimento da atividade. De acordo com a ABPA, o consumo médio deve passar de 288 ovos por habitante em 2025 para 301 em 2026, aumento de até 4,5%. Isso representa aproximadamente seis ovos por pessoa a cada semana.
O crescimento é ainda mais expressivo quando considerado um período de duas décadas. Em 2006, cada brasileiro consumia, em média, 142,3 ovos por ano. Se a projeção para 2026 se confirmar, o consumo terá aumentado 111,5% em 20 anos.
Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, esse avanço reflete a maior presença do ovo na alimentação dos brasileiros, impulsionada pela versatilidade, pelo valor nutricional e pelo preço acessível em comparação com outras fontes de proteína.
O diretor técnico da Avimig, Gustavo Ribeiro, também destaca a importância econômica e nutricional do produto. Segundo ele, o ovo fornece proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais, além de nutrientes como colina e selênio. A atividade também contribui para a geração de empregos e renda na cadeia produtiva.
A tendência de crescimento do consumo deve continuar. A ABPA estima que, em 2027, cada brasileiro poderá consumir, em média, 312 ovos, aumento de até 3,5% sobre a projeção de 2026. Caso o resultado se confirme, o consumo nacional por habitante terá crescido 119,3% em relação a 2006.
Com informações da AVIMIG – FAEMG e Diário do Comércio
Foto: ilustrativa
Posts Relacionados
Preço do leite no campo dispara até 20% em março e acende alerta sobre impacto no consumidor
Cooperativas brasileiras alcançam US$ 17 bilhões em exportações e já representam mais de 10% das vendas do agro ao exterior