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Brasil

Alta dos alimentos pesa no bolso dos brasileiros e mantém pressão sobre a inflação

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Tomate sobe 24,54%, cebola avança 13,63% e arroz fica 5,80% mais caro; apesar da desaceleração do índice mensal, inflação acumulada em 12 meses supera o teto da meta

 

O aumento dos preços dos alimentos voltou a pressionar o orçamento das famílias brasileiras em outubro, com altas expressivas em produtos básicos como tomate, cebola, batata e arroz. Embora a prévia da inflação tenha desacelerado no mês, o custo da alimentação continuou subindo e a inflação acumulada em 12 meses ultrapassou o limite estabelecido pelo Banco Central.

Dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,32% em outubro, contra 0,70% em setembro. O resultado ficou abaixo da previsão de 0,45% do mercado financeiro, mas não representou uma redução generalizada dos preços: oito dos nove grupos pesquisados apresentaram aumentos.

A alimentação foi o principal foco de pressão. O grupo de alimentos e bebidas subiu 0,88%, registrando o maior aumento para um mês de outubro desde 2021. Foi também o segundo mês consecutivo de elevação dos preços no setor. Dentro dos domicílios, o custo da alimentação avançou 1,01%.

O tomate apresentou a maior pressão individual sobre a inflação, com aumento de 24,54%. A cebola ficou 13,63% mais cara, a batata-inglesa subiu 10,96% e o arroz registrou alta de 5,80%. São produtos presentes na alimentação cotidiana, cujos reajustes atingem diretamente as despesas domésticas.

Alguns alimentos apresentaram redução, como a cenoura, que caiu 10,67%, as frutas, com recuo de 1,37%, e o café moído, que ficou 1,16% mais barato. Essas quedas, entretanto, não foram suficientes para impedir o avanço do grupo de alimentação.

O consumidor também encontrou preços maiores ao comer fora de casa. A alimentação em bares, restaurantes e estabelecimentos semelhantes subiu 0,56%. As refeições tiveram aumento de 0,61%, enquanto os lanches ficaram 0,66% mais caros.

Segundo analistas citados no levantamento, as condições climáticas têm contribuído para a pressão sobre os alimentos. As alterações provocadas pelo fenômeno El Niño interferem na distribuição das chuvas e nas temperaturas, com possíveis reflexos sobre a produção agrícola e a oferta de determinados produtos.

A desaceleração da inflação geral foi favorecida principalmente pela queda de preços em setores específicos. As passagens aéreas ficaram 9,24% mais baratas, enquanto a energia elétrica residencial apresentou redução de 0,89%, influenciada pela mudança da bandeira tarifária amarela para verde, que retirou a cobrança adicional nas contas de luz.

Nos transportes, a variação foi de apenas 0,05%, mas os combustíveis continuaram pressionando o consumidor. A gasolina registrou aumento de 0,92% em outubro.

Outro dado que chama a atenção é a inflação acumulada em 12 meses. O indicador avançou de 4,47% em setembro para 4,62% em outubro, superando o teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central. Isso significa que, apesar da desaceleração mensal, a pressão inflacionária no período de um ano aumentou.

O mercado financeiro também projeta dificuldades para manter a inflação dentro da meta em 2026. Segundo o boletim Focus, a expectativa é de que o IPCA oficial encerre o ano com alta de 5,22%, acima do limite de tolerância estabelecido pelo Banco Central.

O cenário de inflação acima da meta ocorre em um ambiente de juros elevados. A taxa básica Selic permanece em 13,75% ao ano, patamar que encarece o crédito e influencia o custo de financiamentos e empréstimos. O Comitê de Política Monetária ainda terá reuniões em novembro e dezembro, enquanto o mercado projeta uma possível redução dos juros para 13,25% até o encerramento do ano.

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial e utiliza preços coletados entre a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência. O resultado definitivo de outubro será divulgado pelo IBGE em 12 de novembro.

A combinação de alimentos mais caros, inflação acumulada acima da meta e juros elevados evidencia pressões que continuam presentes na economia brasileira. Mesmo com o índice mensal abaixo das previsões, os números mostram que a desaceleração da inflação ainda não se traduz em queda dos preços dos produtos básicos consumidos pelas famílias.

Com informações do IBGE – BAnco Central – Folha UOL e Agências

Foto: ilustrativa

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