Avião que caiu em Belo Horizonte e matou três pessoas declarou emergência e ficou apenas 5 minutos no ar
Jornalista

Um avião de pequeno porte caiu na tarde de segunda-feira (4) no bairro Silveira, na região Nordeste de Belo Horizonte. A aeronave, um monomotor modelo P32R, havia saído de Teófilo Otoni, fez escala no Aeroporto da Pampulha e tinha como destino final o Campo de Marte, em São Paulo.
De acordo com informações, o avião decolou da capital mineira com cinco pessoas a bordo e permaneceu cerca de cinco minutos no ar. Nesse intervalo, o piloto relatou problemas técnicos, declarou emergência à torre de controle e tentou manter a aeronave em subida. No entanto, houve perda rápida de altitude, e o avião acabou atingindo um prédio residencial.
Apesar do impacto, nenhum morador do edifício ficou ferido. Segundo relatos, muitos estavam fora de casa, e os apartamentos atingidos estavam vazios no momento da colisão.
Três pessoas morreram no acidente: o piloto Wellington de Oliveira Pereira, de 34 anos; o empresário Fernando Moreira Souto, de 36 anos, filho do prefeito de Jequitinhonha; e Leonardo Berganholi Martins, de 50 anos, que chegou a ser socorrido em estado gravíssimo, mas não resistiu aos ferimentos.
O corpo de Fernando Moreira Souto será velado e sepultado nesta terça-feira (5) em Jequitinhonha, cidade de origem da família. A cerimônia ocorrerá no poliesportivo do município, em horário ainda a ser definido, dependendo da chegada do corpo, que deixou Belo Horizonte por volta das 3h da manhã. Fernando era o filho caçula do prefeito Nilo Souto.
Segundo o Instituto Médico Legal de Belo Horizonte, os familiares das demais vítimas aguardam a liberação dos corpos para os procedimentos de velório e sepultamento.
Outras duas pessoas sobreviveram ao acidente. Hemerson Cleiton Almeida Souza, de 53 anos, sofreu múltiplas fraturas e passou por cirurgia de emergência. Já Arthur Schaper Berganholi, de 25 anos, teve ferimentos mais leves, incluindo fratura em uma das pernas. Ambos foram encaminhados ao Hospital João XXIII.
Testemunhas relataram momentos de desespero logo após a queda, com forte cheiro de óleo queimado, muita poeira no ar e correria de moradores tentando entender o que havia acontecido. Alguns relataram preocupação com a estrutura do prédio atingido.
O edifício foi interditado preventivamente, e os moradores foram evacuados. A Defesa Civil de Belo Horizonte iniciou uma avaliação estrutural detalhada, com foco nos apartamentos atingidos e nas áreas comuns.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais concluiu os trabalhos no local ainda na tarde de segunda-feira. Já a Aeronáutica retomou, nesta terça-feira (5), a perícia na área do acidente. A investigação é conduzida por equipes do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, vinculado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira.
Segundo o Cenipa, os trabalhos fazem parte da chamada ação inicial, que inclui coleta de dados, preservação de evidências e análise preliminar dos danos. O objetivo é identificar os fatores que contribuíram para o acidente e evitar novas ocorrências semelhantes.
Enquanto isso, familiares das vítimas e autoridades locais prestam homenagens e aguardam esclarecimentos sobre as causas da queda.