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Agronegócio

Brasil reduz abates de gado após quase esgotar cota de carne bovina para a China

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Frigoríficos diminuíram o ritmo de produção depois que o país ocupou 98,5% do limite de exportação sem tarifa adicional para o mercado chinês; indústria prevê maior oferta de carne no mercado interno nos próximos meses

O Brasil praticamente encerrou o espaço disponível para exportar carne bovina à China em 2026 e, como consequência, frigoríficos começaram a reduzir o ritmo de abates de gado. A informação é da consultoria StoneX, que aponta que a indústria já utilizou 98,5% da cota anual destinada ao principal comprador da carne brasileira.

O limite estabelecido pela China permite a entrada de até 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira com uma tarifa menor. A medida foi criada pelo governo chinês para proteger os produtores locais. Segundo a StoneX, considerando os embarques realizados entre novembro do ano passado e o fim de junho deste ano, o Brasil já praticamente completou esse volume.

Na prática, ainda existe carne em trânsito. Levando em conta apenas os produtos que já chegaram aos portos chineses, cerca de 72% da cota havia sido ocupada até o fim de junho. A expectativa é que o restante seja totalmente preenchido até agosto, considerando o tempo médio de aproximadamente 45 dias entre o envio da carne pelo Brasil e a chegada ao mercado chinês.

Com menos espaço para novos embarques no terceiro trimestre, a reação inicial dos frigoríficos foi reduzir a quantidade de animais abatidos. De acordo com a StoneX, algumas empresas também adotaram férias coletivas, principalmente no Mato Grosso, um dos principais estados produtores de carne bovina do país.

A analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Larissa Barboza Alvarez, explica que a redução das exportações pode aumentar a oferta de carne dentro do Brasil e abrir espaço para ajustes na produção. Segundo ela, também pode haver uma redistribuição dos volumes entre os mercados, mas a primeira medida tomada pela indústria foi diminuir os abates.

Mesmo com essa desaceleração, o primeiro semestre de 2026 registrou números históricos para a carne bovina brasileira. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes mostram que o país enviou ao exterior 1,705 milhão de toneladas do produto, gerando uma receita de 9,85 bilhões de dólares.

A forte procura chinesa foi um dos principais motivos para o aumento dos embarques neste ano. A expectativa é que as vendas para a China voltem a ganhar força no quarto trimestre, quando começa uma nova cota de importação para 2027.

Além do Brasil, a Austrália também já atingiu o limite de exportação para o mercado chinês. Com isso, os grandes fornecedores devem reduzir os envios para a China a partir da metade do terceiro trimestre. Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda possuem espaço dentro de suas cotas, mas enfrentam dúvidas sobre a capacidade de aumentar as vendas, devido à menor disponibilidade de carne para exportação.

Com informações do Diário do Comércio e Reuters

Foto: ilustrativa

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