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Agronegócio

Preço do leite sobe pela quarta vez seguida em Minas, mas mercado já sinaliza queda nos próximos meses

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Valor pago ao produtor acumulou alta de 36% em 2026 após forte crise no setor, mas consumo mais fraco e oferta equilibrada devem frear novos reajustes

O preço do leite voltou a subir em Minas Gerais e registrou a quarta alta consecutiva em maio, consolidando um movimento de recuperação importante para os produtores rurais após um período de forte desvalorização da atividade. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o litro do leite foi negociado, em média, a R$ 2,75 no Estado, considerando a produção entregue em abril. O valor representa um avanço de 12,02% em relação ao mês anterior.

O aumento dos preços também foi observado no restante do país. Na média nacional, o litro chegou a R$ 2,65, com alta de 10,4%. Apesar da recuperação recente, os valores ainda permanecem 7,1% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado, descontada a inflação.

Segundo os pesquisadores, a valorização foi impulsionada principalmente pela redução da oferta de leite, típica desta época do ano, além da maior disputa entre os laticínios pela compra da matéria-prima. Os dados mostram que a captação de leite pelas indústrias caiu 3,4% entre março e abril no Brasil. No acumulado de 2026, a retração já chega a 14,6%.

Para a gerente de Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, o atual cenário representa uma recuperação dos preços e não necessariamente uma fase de valorização acima do normal. Isso porque o setor enfrentou um dos momentos mais difíceis em 2025, quando foram registradas nove quedas consecutivas no valor pago ao produtor.

De janeiro a abril deste ano, o preço recebido pelos pecuaristas mineiros acumulou crescimento de quase 36%, movimento que acabou refletindo também nos preços dos derivados vendidos ao consumidor, como leite longa vida, queijos e outros produtos lácteos.

Apesar da sequência de reajustes positivos, os indicadores já apontam para uma mudança de direção. A projeção do Conseleite Minas para o pagamento de junho, referente ao leite entregue em maio, indica queda de 2,8% no valor de referência.

A expectativa de recuo está ligada principalmente à redução do consumo de produtos importantes para o setor, como o leite longa vida e o queijo muçarela. A inflação desses itens nos últimos meses contribuiu para diminuir o ritmo das compras pelas famílias, favorecendo uma acomodação dos preços pagos ao produtor.

Mesmo com a tendência de baixa, o mercado não prevê quedas acentuadas. Minas Gerais atravessa atualmente o período de entressafra, quando a produção costuma ser menor, fator que ajuda a limitar o aumento da oferta. Além disso, o leite em pó, produto que exerce forte influência sobre os preços no Estado, tem apresentado estabilidade, ajudando a evitar desvalorizações mais intensas.

Para os próximos meses, a expectativa do setor é de um mercado mais equilibrado, sem grandes oscilações de preços. No entanto, permanece a preocupação com o elevado volume de importações de leite em pó. Representantes da cadeia produtiva defendem a adoção de medidas para conter práticas consideradas desleais no comércio internacional, o que poderia ajudar a proteger a produção nacional e dar mais estabilidade ao mercado brasileiro de leite.

Com informações da FAEMG e Diário do Comércio

Foto: ilustrativa Free – Magnific

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