Demanda doméstica fraca limita indústria de Minas no segundo trimestre
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Empresários apontam consumo insuficiente como principal obstáculo do setor; produção e emprego recuaram em junho, enquanto intenção de investimento atingiu o menor nível para julho em seis anos
A fraqueza da demanda interna tornou-se o principal fator de restrição à atividade industrial de Minas Gerais no segundo trimestre de 2026. O problema foi mencionado por 32,3% dos empresários consultados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), superando questões tradicionalmente presentes no topo das preocupações do setor.
A demanda doméstica insuficiente assumiu a liderança do levantamento pela primeira vez em mais de um ano. Na segunda posição ficou a elevada carga tributária, apontada por 30,8% dos entrevistados. A falta ou o alto custo de trabalhadores qualificados apareceu em seguida, com 30%, enquanto a escassez ou o preço elevado das matérias-primas foi citado por 26,2% dos industriais.
Os resultados fazem parte da Sondagem Industrial de Minas Gerais, pesquisa realizada mensalmente pela FIEMG em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo acompanha indicadores como produção, emprego, estoques, utilização da capacidade instalada, expectativas e disposição dos empresários para realizar novos investimentos.
Produção volta a recuar
A percepção de enfraquecimento do mercado veio acompanhada de uma piora nos indicadores de atividade em junho. O índice de evolução da produção industrial mineira caiu de 50,6 pontos em maio para 47,1 pontos. Na metodologia da pesquisa, resultados abaixo de 50 indicam redução da atividade em relação ao mês anterior.
O emprego industrial também permaneceu em terreno negativo. O indicador marcou 47,8 pontos, apesar de apresentar pequena melhora sobre os 46,9 pontos registrados em maio. Na comparação com junho de 2025, quando estava em 48,4 pontos, houve queda de 0,6 ponto.
As empresas continuaram operando com utilização da capacidade produtiva abaixo do nível considerado habitual para o período. Os estoques de produtos finais, por sua vez, cresceram após quatro meses consecutivos de redução, mas ainda permaneceram inferiores ao volume planejado pelos empresários.
Os dados da sondagem reforçam um movimento de oscilação já observado nos indicadores oficiais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial de Minas recuou 1,7% em maio na comparação com abril, após ter avançado 2,1% no mês anterior. No acumulado de janeiro a maio, porém, o setor ainda apresentava crescimento de 1,2%.
Juros e endividamento afetam consumo
Na avaliação apresentada pela FIEMG, a perda de força da demanda está relacionada ao ambiente de crédito mais restritivo, aos juros elevados e ao endividamento das famílias. Com uma parcela maior do orçamento comprometida com dívidas, sobra menos renda disponível para a compra de produtos, especialmente bens industriais de maior valor.
O mesmo cenário afeta as empresas. O custo mais alto do capital pressiona o fluxo de caixa, reduz as margens e exige maior retorno esperado para que um novo projeto seja considerado viável. Como consequência, os empresários adotam uma postura mais cautelosa, tanto na ampliação da produção quanto na contratação de trabalhadores e na execução de investimentos.
A intenção de investimento recuou para 54,7 pontos em julho, o menor resultado para o mês em seis anos. Embora o indicador permaneça em uma faixa que sinaliza disposição para investir, a queda mostra menor confiança diante das condições financeiras restritivas e das incertezas econômicas.
Expectativas ainda são positivas
Apesar da retração observada na atividade, os empresários continuam projetando crescimento da demanda nos próximos seis meses. O indicador de expectativa alcançou 53,2 pontos em julho e permaneceu acima da linha de 50 pontos pelo sétimo mês consecutivo. O resultado, entretanto, foi o menor para um mês de julho em uma década e ficou abaixo dos 54,1 pontos registrados no mesmo período de 2025.
As perspectivas também permanecem positivas para a compra de matérias-primas. Esse otimismo moderado indica que os empresários não esperam uma retração prolongada, mas reconhecem que a recuperação pode ocorrer em ritmo inferior ao projetado anteriormente.
O comportamento deve ser diferente entre os segmentos industriais. A indústria de transformação, mais dependente das vendas no mercado brasileiro, tende a sentir com maior intensidade a redução do consumo. A indústria extrativa, por outro lado, pode apresentar desempenho relativamente melhor por estar mais vinculada à demanda externa.
A fraqueza do mercado interno ajuda a explicar o ritmo moderado da economia mineira. Quando as empresas recebem menos pedidos, a reação costuma envolver redução da produção, adiamento de investimentos e cautela nas contratações. Embora a sondagem não determine isoladamente o comportamento do Produto Interno Bruto estadual, seus resultados apontam que a indústria dificilmente exercerá uma contribuição mais forte para o crescimento enquanto a demanda doméstica permanecer limitada.