Desenrola Brasil impulsiona crédito menos dependente da Selic e levanta alerta no Banco Central
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Programa pode renegociar até R$ 100 bilhões em dívidas e fortalece linhas de financiamento com garantia do governo, que sofrem menos impacto da alta dos juros básicos da economia
O programa Desenrola Brasil está ampliando o peso de modalidades de crédito que não são tão afetadas pela taxa básica de juros da economia, a Selic, hoje em 12%. A iniciativa ganha força em um momento em que o Banco Central enfrenta mais dificuldade para controlar a inflação justamente por conta do crescimento desse tipo de operação. O tema foi explicado pelo repórter Rafael Ferreira em informações sobre o cenário econômico atual.
Na prática, o programa permite a renegociação de até R$ 100 bilhões em dívidas bancárias, com cobertura do Fundo de Garantia de Operações, um mecanismo que funciona como uma proteção do governo para reduzir o risco das instituições financeiras. Com essa garantia, os bancos conseguem oferecer crédito com juros mais baixos do que os praticados no mercado tradicional.
Esse tipo de operação se aproxima do chamado crédito direcionado, que são financiamentos com regras definidas pelo governo e objetivos específicos, como estimular habitação, investimento ou setores estratégicos. Nos últimos meses, esse tipo de crédito cresceu mais rápido do que o chamado crédito livre, que é aquele sem regras específicas e que sofre impacto direto da variação da Selic.
O avanço acontece em um cenário de juros altos. Para tentar reduzir os efeitos desse ambiente mais caro, o governo também lançou novas linhas de financiamento em 2026, como o programa Move Brasil, além de reforçar recursos para compra de máquinas e equipamentos de alta tecnologia e ampliar o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
Enquanto isso, o crédito livre, que movimenta cerca de R$ 4 trilhões na economia, vem perdendo ritmo justamente por causa dos juros elevados e da maior concorrência com essas linhas incentivadas.
O Banco Central faz um alerta: quando cresce a participação de crédito que não acompanha diretamente a Selic, a política de controle da inflação perde parte da sua força. Isso porque uma fatia do crédito continua barata mesmo quando os juros sobem, o que pode exigir que a taxa básica permaneça alta por mais tempo para produzir o mesmo efeito na economia.
Economistas, no entanto, destacam que o cenário atual é diferente de períodos anteriores. Hoje, parte importante dessas operações já segue taxas próximas às do mercado e há maior participação de bancos privados nessas concessões. Além disso, o próprio Banco Central flexibilizou regras para ampliar o crédito imobiliário.
Especialistas também lembram que nem todo crédito direcionado é subsidiado pelo governo. Em casos como os financiamentos ligados ao BNDES, por exemplo, as taxas podem acompanhar o mercado. A avaliação geral é de que esses recursos, quando voltados a investimentos, infraestrutura e habitação, podem ajudar a ampliar a capacidade produtiva do país e até reduzir pressões inflacionárias no longo prazo.
Fonte: O Globo e CNN
Foto: Agência Brasil