Exportações do agronegócio mineiro caem quase US$ 1 bilhão em 2026, puxadas por café e açúcar
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Vendas externas somaram US$ 13,54 bilhões até setembro; enquanto os dois produtos perderam receita, soja, frango e carne suína registraram crescimento.
O agronegócio de Minas Gerais faturou US$ 970 milhões a menos com exportações nos nove primeiros meses de 2026. Entre janeiro e setembro, as vendas ao exterior somaram US$ 13,54 bilhões, uma redução de 6,7% em comparação com os US$ 14,51 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O resultado foi influenciado principalmente pelo desempenho do café e do açúcar, que perderam receita no mercado internacional.
Os dados são da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) e mostram que, apesar da queda no faturamento, a quantidade de produtos exportados praticamente não mudou. Foram embarcadas 13,1 milhões de toneladas, volume apenas 0,1% inferior ao registrado entre janeiro e setembro de 2025.
O café, principal produto da pauta exportadora do agronegócio mineiro, respondeu por quase metade de toda a receita do setor. As vendas internacionais movimentaram US$ 6,7 bilhões, uma queda de 13% em relação aos US$ 7,7 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado. A quantidade exportada também diminuiu 12,2%, chegando a 1,02 milhão de toneladas.
Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, os embarques de café começaram a apresentar recuperação a partir de agosto. Setembro foi o melhor mês de 2026 para o produto, com receita de US$ 924 milhões e exportação de 2,5 milhões de sacas. Em relação a agosto, o faturamento cresceu 21%. Na comparação com setembro de 2025, houve aumento de 4% na receita e de 11,2% no volume comercializado.
Segundo a assessora técnica da Seapa, Manoela Oliveira, a conclusão da safra pode favorecer novos embarques nos próximos meses. No entanto, a recuperação do volume não significa necessariamente que a receita alcançará os níveis do ano passado, quando os preços internacionais estavam mais elevados. Os Estados Unidos também voltaram a ampliar as compras de café mineiro, assumindo novamente a liderança entre os destinos do produto.
Enquanto o café perdeu espaço em faturamento, a soja apresentou crescimento. As exportações do complexo soja, que inclui grãos, farelo e óleo, renderam US$ 3 bilhões, alta de 14,5% sobre os nove primeiros meses de 2025. O volume embarcado chegou a 6,9 milhões de toneladas, crescimento de 6,4%.
A maior parte desse resultado veio da soja em grãos, responsável por US$ 2,89 bilhões em vendas, avanço de 15,2%. As exportações de óleo de soja também cresceram, com receita de US$ 19,13 milhões. Já o farelo apresentou redução de 1,6% no faturamento, que ficou em US$ 91,7 milhões.
No setor de carnes, Minas Gerais registrou receita de US$ 1,36 bilhão, aumento de 2,7%, mesmo com uma redução de 2,4% na quantidade exportada. Os melhores resultados vieram das carnes de frango e suína.
As vendas externas de carne de frango cresceram 17,1% em valor, alcançando US$ 321,69 milhões, com embarques de 154,09 mil toneladas. A carne suína apresentou crescimento de 15,9% na receita, que chegou a US$ 65,65 milhões. Em volume, o avanço foi ainda maior, de 28,9%, totalizando 33,81 mil toneladas.
A carne bovina, por outro lado, apresentou retração. O faturamento caiu 2,1%, para US$ 958,7 milhões, enquanto o volume exportado diminuiu 13,8%, chegando a 167,13 mil toneladas. Segundo a Seapa, os preços médios subiram 13% no período, o que ajudou a compensar parte da redução dos embarques.
Um dos fatores apontados para esse desempenho foi a diminuição das compras chinesas. A China estabeleceu para 2026 uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira sujeita à tarifa normal de 12%. O limite foi atingido, afetando o ritmo das exportações.
Outro segmento que contribuiu para a queda no faturamento do agronegócio mineiro foi o sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e álcool. A receita recuou 28,7%, ficando em US$ 1,07 bilhão. O açúcar respondeu por US$ 1,04 bilhão desse total, com redução de 27,9% no valor exportado e de 12,9% no volume, que chegou a 2,9 milhões de toneladas.
As exportações de álcool também diminuíram. O faturamento caiu 50,2%, totalizando US$ 29,04 milhões.
No conjunto das exportações de Minas Gerais, o agronegócio representou 41,4% de toda a receita obtida pelo estado entre janeiro e setembro, participação inferior aos 43,6% registrados no mesmo período de 2025. Mesmo com a redução, o setor manteve saldo comercial positivo de US$ 12,29 bilhões, embora 7,6% abaixo do resultado do ano anterior.
A China permaneceu como principal destino dos produtos agropecuários mineiros, com compras próximas de US$ 4 bilhões e participação de 26,4% nas exportações do setor. Os Estados Unidos apareceram em segundo lugar, com US$ 1,23 bilhão, seguidos pela Alemanha, com aproximadamente US$ 1 bilhão.
Em quantidade, a participação do agronegócio nas exportações totais de Minas aumentou de 8,6% para 9,3%, mostrando que o setor ampliou sua presença no volume de mercadorias embarcadas, mesmo com a redução da receita em dólares.
Com informações da SEAPA
Foto: SEAPA Arquivo –
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