Minas Gerais lidera perdas nas exportações para os EUA, com queda de US$ 1,8 bilhão
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Guaxupé, no Sul de Minas, é o município mineiro mais afetado; café e produtos siderúrgicos estão entre os principais responsáveis pela redução nas vendas ao mercado norte-americano.
Minas Gerais registrou a maior queda nas exportações para os Estados Unidos entre todos os estados brasileiros nos 12 meses seguintes ao início do tarifaço norte-americano, em agosto de 2025. Nesse período, o valor das vendas mineiras ao país recuou US$ 1,8 bilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 9,7 bilhões. O resultado foi influenciado principalmente pela redução dos embarques de café e ferro-gusa.
Os números fazem parte de um levantamento divulgado nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). Em todo o Brasil, as exportações destinadas aos Estados Unidos diminuíram US$ 6,7 bilhões no período analisado. Depois de Minas Gerais, as maiores perdas foram registradas por São Paulo, com US$ 1,7 bilhão, e Rio de Janeiro, com US$ 1,4 bilhão.
No território mineiro, os efeitos foram sentidos principalmente em cidades com forte participação no comércio exterior. Dos 853 municípios do estado, 251 exportam produtos para o mercado norte-americano. Entre eles, 71% apresentaram redução no valor comercializado.
O maior recuo ocorreu em Guaxupé, no Sul de Minas, que deixou de exportar US$ 222,8 milhões em comparação com o período anterior. A queda esteve relacionada principalmente aos produtos do grupo que reúne café, chá, mate e especiarias. O município ocupa uma posição importante na comercialização de café produzido no Sul de Minas e em outras regiões.
Sete Lagoas, na região Central do estado, aparece na segunda posição, com redução de US$ 140,8 milhões nas exportações de produtos ligados ao ferro e ao aço. Belo Horizonte vem em seguida, com perda de US$ 123,5 milhões, especialmente em produtos manufaturados de ferro e aço.
Apesar da influência das tarifas comerciais, a retração das exportações não pode ser atribuída exclusivamente às medidas adotadas pelos Estados Unidos. Segundo Felipe Ramon, analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), outros fatores, como a disponibilidade de produtos e a variação dos preços internacionais, também interferiram no desempenho das vendas.
O café brasileiro, por exemplo, ficou sujeito a uma sobretaxa de 50% entre agosto e novembro de 2025, quando passou a integrar a lista de produtos isentos da medida. Já o ferro-gusa não foi incluído nas sobretaxas específicas aplicadas em agosto de 2025 e julho de 2026, mas sofreu os efeitos da tarifa geral estabelecida pelos Estados Unidos em abril de 2025.
No caso do ferro-gusa, a relação comercial é particularmente sensível porque a produção brasileira está integrada à cadeia industrial norte-americana. Essa característica dificulta mudanças rápidas de compradores e destinos das exportações.
O levantamento também mostra que os municípios mineiros de pequeno porte enfrentaram as maiores perdas proporcionais. Nesse grupo, a redução chegou a 46,3%, representando US$ 555,8 milhões a menos em vendas para os Estados Unidos.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, os resultados evidenciam a vulnerabilidade de economias municipais que dependem de poucos produtos e mercados compradores. Ele defende a participação conjunta de governos, empresas e entidades representativas na busca por alternativas para reduzir os prejuízos.
Entre as medidas apontadas estão a ampliação da variedade de produtos exportados, a identificação de novos mercados, a capacitação de empresas e a simplificação dos procedimentos necessários para vender ao exterior.
A Fiemg também considera a diversificação de destinos uma alternativa, mas ressalta que a mudança exige planejamento. Além da existência de compradores, as empresas precisam avaliar custos de transporte, preços, concorrência e exigências técnicas de cada país.
Na indústria siderúrgica, essa adaptação tende a ser mais complexa devido aos contratos e às especificações exigidas pelos clientes. Para outros segmentos, a abertura de novos mercados pode representar uma alternativa para diminuir a dependência comercial dos Estados Unidos.
Com informações da Confederação Nacional de Municípios (CNM) e Jornal Diário do Comércio
Foto: ilustrativa Unplash free