Indústria brasileira tem pior retração em 40 meses, com queda na produção e nos pedidos
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PMI recua para 46,3 em agosto, indicando contração mais forte da atividade industrial, enquanto empresas relatam demanda fraca e redução nas exportações
A indústria brasileira aprofundou a retração em agosto, com queda na produção e nos novos negócios, segundo o Índice de Gerentes de Compras, o PMI, divulgado nesta terça-feira pela S&P Global. O indicador recuou de 47,5 em julho para 46,3 em agosto. Como números abaixo de 50 indicam contração, o resultado aponta para o pior desempenho do setor em 40 meses.
A produção industrial caiu pelo quarto mês consecutivo. As empresas consultadas relataram redução no volume de pedidos, enfraquecimento da demanda, pressão sobre os custos e incertezas relacionadas ao cenário internacional.
Os novos negócios também tiveram desempenho negativo. O volume de pedidos caiu pelo 17º mês seguido, e a retração foi mais intensa do que em julho. A redução atingiu fabricantes de bens de consumo, produtos intermediários e bens de investimento.
No mercado externo, os novos pedidos para exportação recuaram pelo quarto mês consecutivo e apresentaram a maior queda em pouco mais de três anos e meio. Entre os mercados citados pelas empresas estão Argentina e Estados Unidos, que registraram redução nas vendas de produtos industriais brasileiros.
A menor demanda também afetou o mercado de trabalho do setor. O número de funcionários caiu pelo segundo mês consecutivo e na maior proporção desde outubro de 2025. As empresas apontaram medidas de controle de custos, condições difíceis de mercado e menor procura como alguns dos motivos para a redução das equipes.
Apesar do cenário de retração, a inflação dos custos dos insumos e dos preços cobrados pelos fabricantes continuou desacelerando pelo quarto mês seguido. Em agosto, os indicadores atingiram os níveis mais baixos desde fevereiro, depois dos picos registrados em abril.
Para os próximos meses, o ambiente ainda é considerado desafiador. Entre os fatores de preocupação estão a demanda enfraquecida, as incertezas em torno das eleições presidenciais, as condições do mercado e as tensões geopolíticas internacionais.
Mesmo assim, as empresas continuam, em sua maioria, otimistas com os próximos 12 meses. Cerca de 61% dos fabricantes esperam aumento da produção no período, enquanto apenas 3% projetam queda. Entre os fatores que sustentam essa expectativa estão uma possível melhora das condições econômicas após as eleições, investimentos em tecnologia, ganhos de produtividade e o lançamento de novos produtos.
Com informações da CNN – Diário do Comércio e Portal UAI
Foto: CNI acervo