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Economia

RMBH registra maior deflação em quase quatro anos, com queda de 0,29% nos preços em agosto

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Conta de luz mais barata, impulsionada pelo bônus de Itaipu, foi o principal fator para o resultado; sem esse efeito, a região teria registrado inflação no mês.

A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) registrou queda de 0,29% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto. O resultado representa a maior deflação mensal desde setembro de 2022, quando o indicador havia recuado 0,35%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A principal influência para a queda veio dos gastos com habitação, que recuaram 2,64%. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial teve redução de 8,77% e sozinha provocou impacto de -0,37 ponto percentual no índice. A queda foi relacionada ao bônus de Itaipu, crédito aplicado nas contas de luz emitidas em agosto.

Segundo Venâncio da Mata, coordenador do IPCA em Minas Gerais, sem a redução da tarifa de energia elétrica, a RMBH teria registrado inflação no mês. A avaliação é reforçada pelo economista e professor dos cursos de gestão do UniBH Fernando Sette Júnior, que destaca que os demais componentes do índice tiveram, juntos, contribuição positiva de aproximadamente 0,08 ponto percentual.

O resultado, portanto, não representa uma queda generalizada dos preços. O principal alívio veio de um fator específico e extraordinário, concentrado na conta de energia elétrica.

Outro grupo que ajudou a reduzir o índice foi Transportes, com recuo de 0,56%. A queda foi influenciada principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram 15,93% mais baratas, e pelo etanol, com redução de 5,02%. As passagens aéreas tiveram o segundo maior impacto individual sobre o IPCA da região, de -0,10 ponto percentual, e o movimento pode estar relacionado à menor demanda.

Alimentação e Bebidas também apresentou queda, de 0,15%. Entre os produtos que registraram redução de preços estão a batata-inglesa, com recuo de 17,29%, o feijão-carioca, que caiu 9,34%, e a carne de porco, com redução de 2,61%. Vestuário teve retração de 0,12%, influenciada principalmente pelas quedas nos preços de calças compridas infantis e femininas.

Na direção oposta, cinco grupos tiveram aumento de preços em agosto. Despesas Pessoais subiu 1,09%; Artigos de Residência, 0,84%; Educação, 0,56%; Saúde e Cuidados Pessoais, 0,24%; e Comunicação, 0,04%. Entre os produtos e serviços que ficaram mais caros estão o cigarro, com alta de 19,70%, cortinas, 2,98%, cursos de idiomas, 2,67%, e produtos farmacêuticos, 0,84%.

A tendência para os próximos meses é de retorno das taxas positivas do IPCA na região. De acordo com Fernando Sette Júnior, o fim do bônus de Itaipu deve voltar a pressionar a conta de energia elétrica em setembro. A manutenção da bandeira amarela na tarifa também não deve gerar um desconto adicional capaz de compensar o encerramento do crédito extraordinário.

A forte queda das passagens aéreas registrada em agosto também pode não se repetir, enquanto a contribuição dos alimentos para a redução do índice perdeu força. Em julho, a queda do grupo Alimentação e Bebidas havia sido de 1,35%, bem superior à registrada no mês seguinte.

Mesmo com a deflação de agosto, a RMBH acumula alta de 2,76% no IPCA em 2026 e de 3,39% nos últimos 12 meses. Os dois resultados estão abaixo das médias nacionais, de 3,11% no ano e 4,22% em 12 meses.

Para o economista, os números indicam uma evolução dos preços mais moderada na região em comparação com o país, mas não permitem afirmar que essa diferença será mantida nos próximos meses. Entre os fatores que devem continuar sendo acompanhados estão os preços da energia elétrica, alimentos, combustíveis e serviços.

Com informações do Diário do Comércio – CNN e Portal UAI

Foto: ilustrativa

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