Copom reduz Selic para 13,75% ao ano no quinto corte consecutivo
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Decisão unânime do Banco Central considera desaceleração da inflação, mas autoridade mantém cautela diante das projeções acima da meta e do cenário fiscal
A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, foi reduzida de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16). A decisão foi tomada de forma unânime pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e representa o quinto corte consecutivo dos juros.
Segundo o Copom, a redução de 0,25 ponto percentual considera a desaceleração recente da inflação. O comitê afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de levar a inflação para próximo da meta ao longo do horizonte considerado pela política monetária.
O Banco Central também apontou uma moderação gradual da atividade econômica no país, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Apesar disso, a avaliação é de que a economia permanece resiliente e o mercado de trabalho continua aquecido.
Os dados mais recentes indicam que tanto a inflação cheia quanto a média dos indicadores de inflação subjacente desaceleraram. Ainda assim, segundo o Copom, os índices permanecem acima da meta, embora abaixo do limite superior do intervalo de tolerância.
As projeções do mercado financeiro também continuam acima da meta central de 3%. De acordo com o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (14), as estimativas de inflação são de 4,9% para 2026, 4,3% para 2027 e 3,80% para 2028. A previsão para este ano havia sido reduzida de 5% para 4,9%.
Além da inflação, o Copom informou que segue acompanhando a situação fiscal do país. Para o comitê, os desdobramentos da política fiscal podem afetar a condução da política monetária e os ativos financeiros, o que exige cautela em um cenário de maior incerteza.
O ambiente internacional também entrou na avaliação. O Banco Central citou a indefinição relacionada aos conflitos armados no Oriente Médio e as incertezas sobre a política monetária de algumas economias avançadas. Segundo o Copom, esse contexto aumenta a volatilidade dos preços de ativos e de commodities e exige cautela dos países emergentes.
A decisão ocorre no mesmo dia em que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou os juros americanos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Foi a primeira alta da taxa nos EUA desde julho de 2023.
A política de juros americana tem reflexos sobre a economia brasileira, especialmente sobre o câmbio e as condições financeiras. O cenário de juros elevados nos Estados Unidos também aumenta a pressão para que a Selic permaneça em patamar elevado por mais tempo.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo empréstimos, investimentos e consumo. Já a redução da taxa pode estimular o crédito, os negócios e os gastos das famílias.
Desde o início de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, cuja meta central é de 3%. O objetivo é considerado cumprido quando a inflação fica entre 1,5% e 4,5%. Como as decisões de juros produzem efeitos com defasagem, o Banco Central considera projeções futuras ao definir a política monetária, e não apenas a inflação observada nos meses anteriores.
Com informações do Banco Central e Jornal O Globo
Foto: ilustrativa
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