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Economia

Brasil ultrapassa Estados Unidos na venda proporcional de carros elétricos; Minas é segundo maior mercado de eletrificados

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Levantamento internacional aponta crescimento dos modelos movidos exclusivamente a bateria; mercado brasileiro já soma mais de um milhão de veículos elétricos e híbridos vendidos desde 2012.

 

O Brasil passou à frente dos Estados Unidos na participação dos automóveis 100% elétricos no mercado de veículos novos. O resultado faz parte de um estudo divulgado nesta quarta-feira (14) pela Ember, organização internacional de pesquisa na área de energia. A análise reúne informações de 56 países e mostra que o mercado brasileiro ganhou espaço na comercialização de veículos movidos exclusivamente a bateria, enquanto a participação desses modelos nas vendas norte-americanas recuou.

A comparação leva em conta o percentual de carros elétricos vendidos em relação ao total de automóveis novos de cada país. Portanto, não significa que o Brasil comercialize mais unidades do que os Estados Unidos. No mercado norte-americano, os veículos totalmente elétricos representaram 6% das vendas entre janeiro e agosto de 2026. O Brasil integra um grupo de 15 países que ultrapassaram esse percentual pela primeira vez neste ano. Ao todo, 49 dos 56 mercados acompanhados pela Ember já apresentam participação superior à norte-americana.

Os números brasileiros ajudam a dimensionar essa mudança. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o país registrou aproximadamente 434 mil emplacamentos de automóveis e comerciais leves eletrificados entre janeiro e setembro. O volume corresponde a 20,1% das vendas nacionais de veículos leves no período, considerando modelos totalmente elétricos e diferentes tipos de híbridos.

Dentro desse total, cerca de 167 mil unidades eram automóveis movidos exclusivamente a eletricidade, quantidade 206,1% superior à registrada nos mesmos nove meses de 2025. Os híbridos que permitem carregar a bateria na tomada somaram 137 mil veículos. Outros 130 mil eram híbridos convencionais, que utilizam motores elétricos e a combustão, mas não dependem de carregamento externo.

O aumento das vendas também está acompanhado de mudanças na produção automobilística. O Brasil vem recebendo investimentos de fabricantes que buscam ampliar a montagem e a fabricação de veículos eletrificados no mercado nacional. A Ember destaca a expansão industrial como um dos fatores associados ao crescimento das vendas brasileiras, incluindo a operação da montadora chinesa BYD, cuja capacidade de produção poderá chegar a 300 mil automóveis por ano.

Apesar dos novos investimentos, a dependência de veículos e componentes estrangeiros continua elevada. Dos 434 mil eletrificados emplacados até setembro, aproximadamente 262 mil foram importados prontos. Outros 100 mil passaram por montagem no Brasil com conjuntos de peças trazidos do exterior. Apenas 72 mil foram classificados como veículos de fabricação nacional.

Os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que utiliza critérios diferentes dos adotados pela Anfavea, também mostram a expansão do setor. Entre janeiro e setembro, foram comercializados 381.609 veículos eletrificados leves no Brasil. Com esse desempenho, o total acumulado desde 2012 chegou a 1.003.310 unidades.

A velocidade de crescimento pode ser observada na própria série histórica. O mercado brasileiro levou mais de 13 anos para alcançar os primeiros 500 mil eletrificados vendidos. A segunda metade desse volume foi comercializada em apenas 14 meses, entre agosto de 2025 e setembro de 2026.

Somente em setembro, o país registrou 53.126 emplacamentos de elétricos e híbridos considerados pela ABVE, aumento de 148,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Esses modelos responderam por 19,8% das vendas de automóveis e comerciais leves naquele mês.

Minas Gerais teve participação importante nesse resultado. O estado registrou 4.346 veículos eletrificados vendidos em setembro e ficou na segunda posição nacional, atrás apenas de São Paulo, com 14.250 unidades. O Distrito Federal apareceu em terceiro lugar, com 4.158. Na classificação por municípios, Belo Horizonte ocupou a terceira colocação, com 2.451 emplacamentos, superada somente por São Paulo e Brasília.

O crescimento da frota também tem provocado a ampliação da rede de carregamento. Em agosto, o Brasil contava com 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga, número 76,9% maior do que o registrado um ano antes. Desse total, 11.397 eram equipamentos de recarga rápida, enquanto os demais utilizavam sistemas de carregamento mais lento.

Minas Gerais tinha 2.295 pontos de recarga no levantamento, ocupando a quinta posição entre os estados. São Paulo liderava, com 7.864 equipamentos, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A infraestrutura nacional já alcançava, em contagem provisória, 1.911 municípios.

No cenário internacional, a Ember também relaciona o aumento da circulação de veículos elétricos à redução da necessidade de petróleo. Segundo a organização, entre março e agosto deste ano, as frotas elétricas dos países importadores substituíram um consumo estimado de 200 milhões de barris de petróleo. Considerando os preços do período, essa redução corresponde a aproximadamente 20 bilhões de dólares em despesas com o combustível.

O levantamento foi realizado em meio às dificuldades no fornecimento internacional de petróleo provocadas pelo conflito no Oriente Médio. Nos oito primeiros meses de 2026, as vendas mundiais de automóveis totalmente elétricos cresceram 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a comercialização de veículos com motores exclusivamente a combustão apresentou queda de 6%.

A participação dos elétricos varia bastante entre os países. Na Noruega, os automóveis movidos exclusivamente a bateria representaram 98% das vendas de carros novos até agosto. Na América Latina, o Uruguai alcançou 38%, enquanto o Brasil passou a integrar o grupo de mercados com participação superior à dos Estados Unidos.

Os resultados brasileiros mostram duas características do setor: o crescimento acelerado das vendas de veículos elétricos e híbridos e a forte presença de produtos importados. Ao mesmo tempo, os investimentos na produção nacional e a ampliação da rede de carregamento indicam as mudanças em andamento na estrutura do mercado automobilístico do país.

Com informações da Associação Brasileira do Veículo Elétrico  e CNN

Foto: ilustrativa

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