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Agronegócio

Preço do leite dá sinais de queda em Minas enquanto custos de produção continuam subindo

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Após oito altas consecutivas, indicador aponta recuo de 1,8% no valor de referência para outubro; importações elevadas e aumento dos preços do milho e da soja pressionam produtores

O produtor de leite de Minas Gerais enfrenta um cenário de redução das receitas e aumento dos custos de produção. Depois de uma sequência de reajustes positivos, os preços pagos pelo produto começaram a dar sinais de enfraquecimento, pressionados pela maior oferta no mercado interno, pelo volume elevado de importações e pela queda nas cotações dos derivados lácteos.

O primeiro sinal mais claro dessa mudança aparece nos dados do Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite de Minas Gerais (Conseleite MG). Após oito altas consecutivas, o valor parcial de referência para o leite entregue em setembro, com pagamento previsto para outubro, apresentou recuo de 1,8%.

O movimento ocorre depois de um período de relativa estabilidade. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o preço médio recebido pelos produtores mineiros em setembro, referente ao leite entregue em agosto, foi de R$ 3,044 por litro. O valor representou uma pequena alta de 0,71% em relação ao pagamento anterior.

A redução dos preços dos derivados lácteos é um dos fatores que explicam a mudança de comportamento do mercado. Em setembro, o leite em pó registrou queda média de 1%, enquanto o leite longa vida, conhecido como UHT, recuou 1,7%. A muçarela apresentou redução ainda maior, de 2,9%.

Segundo a gerente de Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, a diminuição das vendas e dos preços desses produtos reduziu a capacidade de pagamento das indústrias, com reflexos sobre os valores repassados aos produtores rurais.

A concorrência com os lácteos importados também contribui para limitar a recuperação das cotações. Dados do Cepea mostram que o Brasil importou, em agosto, o equivalente a 230,3 milhões de litros de leite. Embora o volume tenha diminuído 2,54% em relação a julho, permaneceu quase 40% acima do registrado no mesmo mês de 2025.

O leite em pó respondeu por 72,3% das importações, com volume equivalente a 166,58 milhões de litros, aumento de 0,99% na comparação mensal. A entrada desses produtos amplia a disponibilidade de lácteos no mercado brasileiro e aumenta a concorrência com a produção nacional.

Enquanto os preços recebidos pelos produtores apresentam sinais de queda, o consumidor ainda não percebe uma redução equivalente nas prateleiras. Nos 12 meses encerrados em agosto, a inflação de leite e derivados chegou a 6,18%, acima da variação de 4,22% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mesmo período.

Outro desafio para a atividade leiteira é o encarecimento dos insumos utilizados na alimentação do rebanho. Em setembro, os preços médios do milho e da soja nas principais praças de Minas Gerais aumentaram 7,4% e 10,4%, respectivamente, em relação a agosto.

O avanço desses produtos acompanha a elevação dos custos gerais da atividade. O Índice de Custo de Produção do Leite (ICP-Leite), calculado pela Embrapa, subiu 1,47% em agosto e acumulou aumento de 3,73% em 12 meses.

A combinação de preços menos favoráveis e despesas crescentes exige maior controle financeiro das propriedades. Mariana Simões destaca que o planejamento produtivo e econômico se tornou indispensável para a permanência dos produtores na atividade, independentemente do tamanho da propriedade.

Para os próximos meses, a avaliação é de que o mercado poderá continuar pressionado. A recuperação da produção nacional, mesmo em ritmo mais moderado, e a manutenção das importações em níveis elevados podem resultar em preços estáveis ou em novas quedas até o fim do ano, especialmente com a chegada da safra.

As condições climáticas também entram nessa avaliação. Segundo Mariana Simões, a ocorrência do fenômeno El Niño pode provocar interferências no mercado, acrescentando incertezas ao planejamento dos produtores em um período de margens mais pressionadas.

Com informações do CEPEA – Conseleite e Diário do Comércio

Foto: ilustrativa

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