Preço do limão dispara e sobe 240% no atacado em Minas Gerais
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Baixa oferta provocada pelas chuvas e aumento da demanda pressionaram as cotações; normalização é esperada com a chegada da nova safra no fim do ano
O limão ficou mais caro nesta entressafra e a alta chegou a 240% no atacado em Minas Gerais. Na CeasaMinas, na Grande BH, o quilo passou de R$ 2,50 para R$ 8,50, em um movimento provocado principalmente pela redução da oferta da fruta.
A escalada também aparece nos preços pagos aos produtores. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, mostram que, no cinturão citrícola paulista, responsável por cerca de 80% da produção nacional, a caixa de 27,2 quilos do limão tahiti passou de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho e alcançou R$ 104,78 em agosto. A alta acumulada no período foi de 226,4%.
Na comparação com agosto de 2025, o preço recebido pelo produtor ficou 71% maior. No maior entreposto do País, a Ceagesp, em São Paulo, o avanço foi ainda mais acentuado: o quilo saiu de R$ 1,82 no início da entressafra, em maio, para R$ 8,62 no fim de setembro, aumento de 374%.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, o limão costuma apresentar forte oscilação de preços, mas a situação deste ano foi agravada pelas condições climáticas. O excesso de chuvas afetou a florada, reduziu a quantidade de frutas em condições comerciais e dificultou a colheita.
A Conab aponta que as regiões paulistas de Bebedouro e Matão foram as mais afetadas. Juntas, elas concentram aproximadamente 68% da área destinada à produção de limões e limas no cinturão citrícola. O limão tahiti responde por 88% das frutas produzidas nessas áreas.
A menor disponibilidade coincidiu ainda com o aumento da procura no mercado interno durante o período de calor em agosto e setembro. A disputa pela produção também envolve as exportações: cerca de 11% da safra brasileira é destinada ao exterior, principalmente à Europa.
Normalmente, a produção de limão atinge o pico em janeiro e fevereiro, diminui nos meses seguintes e entra efetivamente na entressafra no fim de maio. A oferta começa a se recuperar a partir de setembro, mas neste ano as chuvas também prejudicaram a formação dos frutos que deveriam reforçar o mercado neste período.
De acordo com a Conab, a principal florada destinada a compor a oferta do segundo semestre também foi atingida por chuvas acima da média. O volume mais significativo desses frutos deve chegar ao mercado somente a partir de meados de novembro, e a previsão é de normalização dos preços com a entrada da nova safra no fim do ano.
Com informações do Diário do Comércio
Foto: ilustrativa