Leite tem preços estáveis em Minas, mas importações e custos preocupam produtores
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Menor oferta durante a entressafra sustenta o valor pago ao produtor, enquanto avanço das importações de leite em pó e alta dos custos de alimentação limitam investimentos no setor
O mercado do leite em Minas Gerais segue em um cenário de estabilidade, sustentado pela menor oferta da matéria-prima no campo e por um consumo equilibrado. Em junho, referente à produção entregue em maio, o valor médio pago ao produtor chegou a R$ 2,77 por litro, alta de apenas 0,7% em relação ao mês anterior, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A expectativa é de poucas mudanças nos próximos meses. Com a chegada do período mais seco do ano, tradicionalmente marcado pela entressafra, a produção tende a permanecer limitada, o que ajuda a evitar quedas nos preços. Para o pagamento de julho, referente ao leite entregue em junho, a projeção do Conseleite-MG aponta aumento de 1,6%, elevando o valor médio para cerca de R$ 2,80 por litro.
De acordo com a gerente de Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, a estabilidade é resultado de uma oferta mais ajustada à demanda. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a captação de leite cresceu apenas 1,6% em Minas Gerais no primeiro trimestre do ano e 2,6% no Brasil, com maior avanço concentrado nos estados da região Sul.
Segundo ela, além da menor produção típica da entressafra nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o mercado de derivados também apresenta equilíbrio. Produtos como leite longa vida e muçarela registraram aumento de preços, mas em ritmo inferior ao da inflação média dos alimentos, indicando que a procura segue compatível com a oferta disponível.
No cenário nacional, os preços também permaneceram praticamente estáveis. O litro de leite foi negociado, em média, a R$ 2,66, com leve recuo de 0,45% no período analisado.
Apesar da estabilidade, o setor enfrenta desafios. Um dos principais fatores que limitam uma valorização maior do leite é o aumento das importações de produtos lácteos, especialmente do leite em pó. Em maio, o volume importado pelo Brasil alcançou o equivalente a 226,21 milhões de litros de leite, crescimento de 3,58% em relação ao mês anterior e de 28% na comparação com o mesmo período do ano passado.
As exportações brasileiras também avançaram, somando 5,81 milhões de litros equivalentes, alta de 45,33% sobre abril. No entanto, o volume embarcado ainda ficou 21,42% abaixo do registrado em maio de 2025.
Para os produtores, os preços atuais permitem cobrir os custos operacionais das propriedades que contam com boa gestão e eficiência produtiva. No entanto, a margem ainda é considerada insuficiente para impulsionar investimentos e ampliar a produção.
Outra preocupação é o aumento recente no preço da soja, um dos principais componentes da alimentação do rebanho. A valorização do grão pode elevar os custos de produção nos próximos meses e reduzir ainda mais a rentabilidade da atividade leiteira.
Com informações do Diário do Comércio
Foto: ilustrativa acervo OP Rural
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