Inadimplência recua no Brasil, mas dívidas já comprometem quase 30% da renda das famílias
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Pesquisa da CNC aponta que 29,6% das famílias tinham contas em atraso em setembro, menor índice desde março. Entre os brasileiros de menor renda, a inadimplência chega a 38,5%
A inadimplência das famílias brasileiras caiu em setembro, atingindo o menor nível desde março de 2026. Apesar da melhora, o peso das dívidas sobre o orçamento doméstico aumentou, indicando que os consumidores continuam enfrentando dificuldades para equilibrar as contas. O pagamento de empréstimos, financiamentos e compras parceladas já consome, em média, 29,6% da renda familiar.
Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo o levantamento, 29,6% das famílias brasileiras tinham contas em atraso em setembro.
A redução da inadimplência, entretanto, não significa que as famílias estejam menos pressionadas financeiramente. O comprometimento médio da renda com dívidas chegou a 29,6%, o equivalente a quase R$ 30 de cada R$ 100 recebidos. Esse percentual representa a parcela do orçamento destinada ao pagamento de compromissos financeiros assumidos pelos consumidores.
A pesquisa também aponta que 81,7% das famílias com dívidas conseguiam manter seus pagamentos em dia, percentual ligeiramente inferior ao registrado no período anterior. O resultado mostra que, mesmo entre os consumidores que não estão inadimplentes, o orçamento permanece comprometido com obrigações financeiras.
A situação é mais delicada entre as famílias de menor renda. No grupo que recebe até três salários mínimos, a inadimplência atingiu 38,5%, índice significativamente superior à média nacional. Apesar disso, essa faixa de renda apresentou a maior redução no nível de endividamento durante setembro.
Os indicadores também evidenciam uma diferença importante entre endividamento e inadimplência. Uma família que utiliza cartão de crédito, possui financiamento ou paga empréstimos é considerada endividada, mesmo quando mantém todas as parcelas em dia. A inadimplência ocorre quando esses compromissos deixam de ser pagos dentro do prazo.
O aumento da parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas reduz os recursos disponíveis para outras despesas do orçamento familiar. Além disso, o levantamento identificou crescimento no tempo médio de atraso dos pagamentos, sinalizando que parte dos consumidores continua enfrentando dificuldades para regularizar suas obrigações financeiras.
O cenário de juros elevados também influencia a capacidade de pagamento das famílias. O custo do crédito encarece novas operações e pode dificultar a reorganização financeira, especialmente entre os consumidores que já possuem uma parcela significativa da renda comprometida.
A CNC avalia que a inadimplência poderá continuar recuando nos próximos meses, desde que o nível de endividamento permaneça mais estável. A evolução dos juros, da renda e das condições do mercado de trabalho será determinante para a capacidade das famílias de reduzir o peso das dívidas.
Realizada mensalmente desde 2010, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor reúne informações de aproximadamente 18 mil consumidores nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, acompanhando a situação financeira das famílias e sua capacidade de honrar compromissos.
Com informações da CNC